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Tensão diplomática: Abin alerta sobre risco de interferência dos EUA nas eleições brasileiras

A Agência Brasileira de Inteligência identificou riscos de ingerência americana nas eleições de 2024, em contexto de escalada de pressões econômicas e políticas. Apesar das tensões, Brasil e EUA mantêm canal aberto de negociações, com Lula reafirmando bom relacionamento pessoal com Trump.

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório confidencial alertando para o risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O documento, enviado à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça no fim de agosto, classifica a possível ingerência com “nível de criticidade” e aponta a reafirmação da hegemonia estadunidense na América Latina como prioridade do segundo governo de Donald Trump, especialmente para afastar rivais como a China de ativos estratégicos e recursos naturais na região.

A avaliação da inteligência brasileira indica intensificação das ações americanas contra o Brasil nos últimos meses, muito além das eleições. Desde abril de 2025, o país enfrenta tarifas sobre exportações que chegaram a 50% em julho, justificadas inicialmente por razões econômicas mas depois articuladas a questões políticas. O gatilho foi a atuação da Justiça brasileira ao regulamentar redes sociais, incluindo a Rumble (ligada a Trump) e o X (de Elon Musk), além da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático. Os EUA também aplicaram a Lei Magnitsky contra ministros do Supremo Tribunal Federal e chegaram a designar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Apesar das tensões crescentes, o governo Lula busca manter canais diplomáticos abertos. O presidente brasileiro não poupa críticas às ações de Trump, qualificando-as de “desaforadas”, mas reafirma constantemente seu bom relacionamento pessoal com o líder americano. Os dois se encontraram na ONU em setembro de 2025 e novamente em Washington em maio deste ano, além de conversas telefônicas regulares. A última ligação, com duração de 1h20 em agosto, partiu de Lula com objetivo de retomar negociações comerciais. Ambos estarão juntos novamente na Assembleia Geral da ONU em Nova York na próxima terça-feira (22), embora sem encontro bilateral marcado.

Com informações da Agência Brasil.

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