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Livro revela cumplicidade de grandes montadoras com a ditadura militar brasileira

Pesquisa de três anos documenta como empresas como Volkswagen, Mercedes-Benz, GM, Ford e Scania financiaram e participaram ativamente do aparato repressivo durante o regime militar. A obra ‘Repressão Sociedade Anônima’ mostra histórias de trabalhadores perseguidos, fichados e torturados nas fábricas do Grande ABC paulista.

Um novo livro lançado em São Paulo esta semana expõe a participação direta de grandes montadoras na manutenção do aparato repressivo durante a ditadura militar brasileira. A obra ‘Repressão Sociedade Anônima’, escrita por Eduardo Reina e Maria Angélica Ferrasoli, é resultado de três anos de pesquisa documental e entrevistas que revelam como cinco empresas—Volkswagen, Mercedes-Benz, General Motors, Scania e Ford—contribuíram intensamente com o sistema de repressão, especialmente na região do Grande ABC Paulista.

Os pesquisadores descobriram que a cooperação das montadoras ia muito além do financiamento. As empresas incorporavam militares dentro das fábricas, mantinham arapongas (delatores) entre os trabalhadores e criavam listas de grevistas que circulavam entre as indústrias, impossibilitando a recolocação profissional dos marcados. Em um caso emblemático, constatou-se que a General Motors financiava equipamentos para um estande de tiro mantido pelo Departamento de Ordem Política e Social, incluindo munições e protetores auriculares.

A investigação também revelou a existência de um “Dopinho do ABC” em São Bernardo do Campo—uma filial do DOPS formada por empresas da região onde trabalhadores, ativistas sindicais e pessoas ligadas a movimentos eclesiais de base eram presos e torturados. Além disso, as mulheres trabalhadoras enfrentavam condições degradantes, começando a trabalhar aos 12 ou 13 anos, com controle rigoroso até do uso do banheiro. A pesquisa documentou ainda o descaso das empresas com a segurança, registrando mais de cinco mil acidentes de trabalho em um único dia de 1975.

O Ministério Público de São Paulo, em relatório divulgado em 2021, confirmou que a Volkswagen “contribuiu intensamente com o aparato repressivo” com conhecimento da direção da empresa. A obra de Reina e Ferrasoli contribui para uma compreensão mais ampla de como a ditadura não seria possível sem a participação ativa das corporações, demonstrando que ainda há muito a ser investigado, especialmente sobre o envolvimento de empresas públicas nesse período sombrio da história brasileira.

Com informações da Agência Brasil.

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