O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as projeções de crescimento para a América Latina e o Caribe em seu relatório divulgado nesta terça-feira (13), em Bangcoc. A instituição projeta crescimento regional de apenas 2,3% para este ano, abaixo dos 2,5% esperados para 2025 e dos 2,4% previstos em julho para 2026. O pessimismo reflete a dificuldade da região em aproveitar o boom tecnológico da inteligência artificial, que tem amparado outras economias a absorver o impacto da crise energética global causada pela guerra no Oriente Médio.
Os números são preocupantes para economias como Brasil e Argentina. O Brasil terá crescimento revisto para 2,2% este ano, abaixo dos 2,4% estimados anteriormente, com projeção de desaceleração para 1,9% em 2027. A Argentina sofreu redução ainda mais significativa: de 3,5% para 2,1% em 2024, com inflação esperada em 32,5%, embora menor que os 41,9% de 2025. O FMI aponta as condições monetárias restritivas e a incerteza global como principais freios. O México, porém, segue contracorrente: sua projeção para 2026 foi elevada de 1,2% para 1,5%, impulsionada por exportações ligadas a cadeias de inteligência artificial e investimentos em recuperação.
O choque energético global permanece como fator determinante. Com o petróleo Brent cerca de 45% acima dos níveis pré-guerra, os custos elevados de combustível pressionam famílias e empresas enquanto alimentam temores inflacionários. O FMI alerta que a compensação do setor tecnológico é limitada na maioria dos países latinos, e que a região dependerá dos ganhos de exportadores de commodities para compensar as perdas dos importadores de energia. O relatório mantém advertências sobre riscos crescentes, com possibilidade de turbulência nos mercados financeiros afetando economias emergentes através de custos mais altos de endividamento e pressão sobre moedas locais.
Com informações da Agência Brasil.


