A concessão da BR-116 à iniciativa privada vai impactar diretamente 19 municípios cearenses. O trecho estadual atravessa importantes polos econômicos do Ceará, passando pelo Litoral Leste, Vale do Jaguaribe, Centro-Sul e Cariri, até a fronteira com Pernambuco.
O percurso no território cearense tem início no entroncamento com a BR-304, no distrito de Boqueirão do Cesário, em Beberibe, e segue até Penaforte, na divisa com Salgueiro (PE). O lote completo da concessão, que engloba também Paraíba e Pernambuco, soma 473 quilômetros.
Cidades do Ceará incluídas no projeto
As 19 cidades cearenses que serão cortadas pelo trecho em estudo são: Beberibe, Palhano, Russas, Limoeiro do Norte, Tabuleiro do Norte, São João do Jaguaribe, Alto Santo, Jaguaribara, Jaguaribe, Icó, Umari, Baixio, Ipaumirim, Barro, Milagres, Abaiara, Brejo Santo, Jati e Penaforte.
Investimentos ainda indefinidos
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com o Ministério dos Transportes, conduz os estudos de estruturação do projeto. O banco atua como financiador e foi contratado para desenvolver os estudos preparatórios que antecedem o leilão federal.
Segundo o BNDES, detalhes sobre valores de investimento, obras de duplicação, construção de viadutos e instalação de praças de pedágio no Ceará ainda dependem dos estudos de viabilidade em andamento. O contrato global abrange 3.137 km de rodovias federais no Norte e Nordeste, incluindo trechos das BRs 153, 010, 226 e 104.
Importância da BR-116
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Considerada a maior rodovia do Brasil, a BR-116 possui mais de 4,6 mil quilômetros de extensão, ligando Fortaleza a Jaguarão (RS), na fronteira com o Uruguai. Vários trechos já operam sob concessão, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.
No Ceará, a rodovia tem aproximadamente 540 km, começando na Praça Manuel Dias Branco, em Fortaleza, e seguindo em direção ao sul. Em determinado ponto, a via sai do território cearense por Ipaumirim, cruza brevemente a Paraíba por Cachoeira dos Índios e retorna ao Ceará pelo município de Barro.
Setor produtivo critica falta de diálogo
O anúncio da concessão gerou reação negativa de setores econômicos cearenses. Heitor Studart, presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Ceará (Coinfra-Fiec), criticou a ausência de consulta às entidades ligadas ao transporte rodoviário e à logística.
“O setor produtivo foi pego de surpresa. Mais uma vez é um negócio que se lança sem estudos de viabilidade de retorno definido”, afirmou Studart. Ele classificou a medida como um “atropelo ao rito do Plano Nacional de Logística 2050” e destacou preocupação com o fato de o trecho cearense ser integralmente de pista simples, sem garantia prévia de duplicação obrigatória.






