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Negacionismo nos EUA ameaça certificado de país livre do sarampo que Brasil conquistou

Discursos antivacinação do governo Trump causaram o pior surto de sarampo em mais de três décadas nos EUA, com 4,4 mil casos. O Brasil mantém seu certificado de área livre da doença, mas enfrenta pressão com casos importados e desinformação que reverbera nas redes sociais.

Os Estados Unidos enfrentam o pior surto de sarampo em mais de três décadas, com mais de 4,4 mil casos confirmados este ano e três mortes. O cenário preocupante tem origem nas mudanças recentes do calendário vacinal americano, impulsionadas por discursos negacionistas do governo Donald Trump. Entre os infectados, 98% não estavam totalmente vacinados. Para o diretor do Programa Nacional de Imunizações do Brasil, Eder Gatti, o país americano passa por um período de retrocessos que representa uma ameaça a todo o continente, especialmente porque “o governo americano, além de chancelar discursos negacionistas, tem um secretário de Saúde declaradamente antivacina”.

O Brasil já registrou 61 casos de sarampo este ano, na maioria importados de fora, mas mantém sua certificação como área livre da doença desde 2024. No entanto, o status conquistado em 2016, perdido em 2019 e reconquistado em 2023, depende de vigilância constante. A cobertura vacinal da tríplice viral no país melhorou significativamente: de 88% na primeira dose em 2023 para 95% em 2025. Em São Paulo, quase 4 milhões de doses extras foram aplicadas apenas neste ano para conter a propagação. Eder Gatti alerta que o sarampo “mata crianças, causa abortos e complicações obstétricas”, sendo especialmente letal para populações vulneráveis, indígenas e em situação de pobreza.

O governo Trump reduziu de 17 para 11 os imunizantes recomendados e determinou que a vacina tríplice viral seja separada em três aplicações distintas, uma mudança sem base científica segundo especialistas. Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que essa divisão é inviável, pois as vacinas individualizadas deixaram de ser fabricadas há quase 20 anos. A desinformação já reverbera no Brasil através das redes sociais, influenciando até mesmo maternidades particulares onde pais recusam a vacina da hepatite B ao nascer, desconhecendo que crianças infectadas têm 90% de chance de desenvolver doença crônica. A Organização Panamericana de Saúde registra mais de 56 mil casos de sarampo no continente, com pelo menos 80 mortes, evidenciando a urgência de manter a vigilância e as altas coberturas vacinais para proteger a certificação brasileira.

Com informações da Agência Brasil.

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