O setor de bares e restaurantes do Ceará vai priorizar a negociação de mudanças na legislação trabalhista antes de implementar as novas regras que põem fim à escala 6×1. A decisão foi anunciada após a promulgação da Emenda Constitucional 141, na última sexta-feira (16).
A nova legislação, aprovada pelo Senado na quarta-feira (14), garante dois dias de descanso semanal remunerado e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Segundo a presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE), Taiene Righetto, o setor estuda diversas alternativas, mas todas devem resultar em aumento de custos repassados aos consumidores.
Entre as possibilidades em análise estão o fechamento dos estabelecimentos em dias específicos da semana e a ampliação das equipes de trabalho. A entidade também defende a flexibilização da escala para permitir contratos por hora ou trabalho intermitente.
A presidente da Abrasel-CE destaca a dificuldade em contratar profissionais no curto prazo, especialmente com o aumento do movimento turístico em dezembro, quando as mudanças devem entrar em vigor. “Vamos ter uma queda muito grande na qualidade e disponibilidade do serviço. Mesmo fechando alguns dias ou reduzindo horário, vamos diminuir receita mantendo custos fixos. O repasse ao consumidor final será inevitável”, afirma Righetto.
Supermercados planejam revezamento e automação
O setor supermercadista também estuda ajustes nos horários de funcionamento, nas escalas de trabalho e na implementação de tecnologias para automatizar serviços. A redução do funcionamento em horários extremos e a concentração da equipe nos períodos de pico estão entre as possibilidades avaliadas.
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De acordo com o secretário executivo da Associação Cearense de Supermercados (Acesu), Antonio Sales, o setor analisa a criação de escalas de revezamento dinâmicas, com folgas distribuídas entre segunda e quarta-feira, dias de menor movimento, mantendo o atendimento nos finais de semana.
As adaptações, porém, variam conforme o porte dos estabelecimentos. Enquanto grandes redes têm mais capacidade de investir em tecnologia e inteligência artificial para substituir postos de trabalho, pequenos mercados enfrentam limitações financeiras e equipes reduzidas para realizar o revezamento.






