A política externa brasileira se configura como um dos principais temas do segundo turno eleitoral, com Lula e Flávio Bolsonaro apresentando projetos radicalmente diferentes para o posicionamento internacional do Brasil. O plano petista enfatiza o fortalecimento das relações com o Sul Global, Brics e G20, enquanto defende estimular laços “com todas as regiões do mundo”. Já Flávio propõe maior aproximação com Estados Unidos, Israel e Argentina, criticando o que chama de “ideologização” da diplomacia brasileira.
No documento de campanha, Lula dedica quase seis páginas ao tema da política externa, alertando para “conflitos sem precedentes” desde a Segunda Guerra Mundial e prometendo fazer “firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros”. O candidato do PL, por sua vez, argumenta que soberania se exerce “na prática” e não com “bravatas”, criticando a postura do governo Lula frente ao Irã, Venezuela e Israel. Flávio também critica a política do Brics de estimular comércio entre países sem necessidade do dólar.
No campo da defesa nacional, ambos os candidatos reconhecem a importância do fortalecimento militar. Lula destaca investimentos já realizados, como a entrega de sete caças Gripen-F-39 e a produção da primeira aeronave em solo brasileiro em 2024. Flávio promete incentivar tecnologias militares com foco em drones e inteligência artificial, argumentando que investimentos nas Forças Armadas devem ser compatíveis com a inserção do Brasil em diferentes blocos internacionais.
Questões estratégicas como terras raras e minerais críticos também dividem os candidatos. Lula propõe desenvolvimento de política específica para organizar cadeias produtivas e agregar valor aos recursos, evitando simples exportação de matérias-primas. Flávio, por sua vez, defende atração de capital estrangeiro e transferência de tecnologia existente no mundo, sem “preconceitos ou ranços ideológicos”. O tema ganhou relevância após Flávio afirmar, em encontro com conservadores nos EUA, que o Brasil é solução para “quebrar” a dependência americana da China em minerais críticos.
Com informações da Agência Brasil.


