A Pan-Amazônia, que engloba nove países da América do Sul, possui pelo menos 232 políticas, programas e instrumentos públicos relacionados à bioeconomia. Para fortalecer a articulação entre os governos e potencializar esses recursos, a Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia lança nesta quinta-feira (22) o Radar Bioecon, plataforma digital que centraliza informações sobre iniciativas de desenvolvimento econômico baseadas na biodiversidade regional. A ferramenta será apresentada durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP17), em Yerevan, na Armênia, e abrange Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.
O mapeamento inclui desde estratégias nacionais de bioeconomia até mecanismos de crédito, compras públicas e programas de apoio a empreendimentos comunitários. No Brasil, destacam-se o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e a Política de Garantia de Preços Mínimos para Produtos da Sociobiodiversidade (PGPMBio). Segundo o estudo Nova Economia da Amazônia, apenas 13 produtos da sociobiodiversidade contribuem com R$ 12 bilhões anuais ao PIB da Amazônia Legal brasileira, com destaque para açaí e castanha. Porém, especialistas alertam que o potencial ainda esbarra na falta de integração entre governos e em dificuldades de acesso ao crédito.
O Radar Bioecon permite consultar e comparar essas políticas, identificando experiências que possam ser compartilhadas e oportunidades de cooperação regional. Um estudo da rede mapeou 141 mecanismos de financiamento voltados à bioeconomia na região, mas apenas 8,5% atendem à sociobiodiversidade. Exigências de garantias e procedimentos burocráticos dificultam o acesso de cooperativas e empreendimentos locais. Bruno Castro Lacerda, consultor em bioeconomia para a conservação, defende que “essa visão regional é importante para fortalecer a cooperação entre os países e construir políticas que tenham continuidade no longo prazo, contribuindo para consolidar a bioeconomia como uma agenda estratégica de desenvolvimento”.
Com informações da Agência Brasil.


