Trabalhadoras domésticas brasileiras são estimuladas a denunciar assédio eleitoral praticado por patrões. A Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad), em parceria com a organização Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, lançou a campanha “Não passaremos pano” para dar visibilidade às diferentes formas de violência vivenciadas por essas profissionais, incluindo pressões relacionadas às escolhas políticas.
Segundo o procurador Igor Sousa Gonçalves, coordenador nacional de promoção da igualdade de oportunidades do Ministério Público do Trabalho, o assédio eleitoral ocorre quando o empregador usa sua autoridade para constranger, intimidar e influenciar as escolhas políticas da trabalhadora. O procurador exemplificou que empregadores podem exigir o título de eleitor, informações sobre a zona eleitoral e até ameaçar demissão ou oferecer vantagens. Denúncias podem ser feitas diretamente ao MPT pela internet ou presencialmente nas procuradorias do trabalho em todo o país, com possibilidade de sigilo da identidade.
A diretora da Themis, Jéssica Miranda, destaca que o trabalho doméstico remunerado torna o assédio eleitoral especialmente grave, pois ocorre dentro dos lares com maior dificuldade de fiscalização e em relações marcadas por profundas desigualdades. “O voto é livre e secreto. A democracia também precisa ser respeitada dentro das casas onde essas mulheres trabalham”, ressalta. Até a noite de quinta-feira (22), havia cerca de 1,7 mil denúncias de assédio eleitoral registradas, com expectativa de aumento até o dia da eleição.
Com informações da Agência Brasil.


