Brasil

Racismo e intolerância religiosa dividem propostas de candidatos na reta final da eleição

Instituto de defesa das religiões afro-brasileiras analisa posicionamentos de Lula e Flávio sobre igualdade racial e liberdade religiosa. Estudo aponta diferenças significativas entre os planos de governo dos candidatos.

A semana que antecede o segundo turno das eleições traz à tona um debate essencial sobre racismo e liberdade religiosa no Brasil. O Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) divulgou um minidossiê comparando as posições e ações dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nessas áreas críticas.

Segundo o levantamento do Idafro, Lula reconhece a discriminação racial como fator estruturante das desigualdades sociais e apresenta propostas concretas para enfrentá-la, como políticas de ações afirmativas, regularização de quilombos e demarcação de terras indígenas. Em contraste, o programa de governo de Flávio não menciona termos fundamentais como “racismo”, “negro”, “cota”, “terreiro”, “matriz africana” ou “discriminação”. O documento também identifica diferenças preocupantes em segurança pública: enquanto Flávio propõe reconhecimento facial — tecnologia que apresenta maior taxa de erro em rostos pretos e pardos — Lula prioriza proteção da juventude negra contra violência e redução de homicídios.

Outro ponto destacado pelo instituto refere-se ao compromisso com povos de terreiro. Lula criou, em 2024, grupo que elaborou a política nacional para essa comunidade, reforçando direitos como a inviolabilidade dos espaços sagrados. Paralelo a isso, o dossiê recupera episódios de ataques durante a campanha, incluindo conteúdos falsos gerados por inteligência artificial e críticas ao candidato por visitar terreiros. Conforme o Idafro, esses ataques estigmatizam povos de terreiro independentemente de quem seja o beneficiário eleitoral.

Os números refletem a urgência dessa discussão: entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o Disque Direitos Humanos (Disque 100) registrou 2.774 denúncias de intolerância religiosa. Apesar da diversidade religiosa brasileira — com 57% de católicos, 27% de evangélicos, 9% sem religião e 1% de umbandistas e candomblecistas — e da laicidade constitucional do Estado, ataques contra a liberdade de crença persistem.

Com informações da Agência Brasil.

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