A Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) embargou no dia 1º de outubro a construção de um muro que bloquearia o acesso à Lagoa do Cauípe, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. A obra é de responsabilidade do grupo português Vila Galé e foi denunciada por moradores da região do Cumbuco.
Durante a fiscalização, a equipe da Semace constatou que a intervenção estava sendo realizada em Área de Preservação Permanente (APP), dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) do Lagamar do Cauípe. Foram encontrados areia, blocos de concreto, tijolos e a base do alicerce já executada. O grupo foi autuado e multado em R$ 40 mil, com determinação de paralisação imediata das atividades.
Segundo moradores e trabalhadores locais, o muro impediria o livre acesso de pedestres, banhistas e profissionais à lagoa, bloqueando uma das poucas estradas de terra que levam ao local. A bugueira Neidinha Sousa, de 55 anos, uma das lideranças do protesto, alerta que cerca de 180 famílias de bugueiros podem ser impactadas pela obra.
Mobilização popular
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Assim que a construção começou, a comunidade se organizou rapidamente. No dia 5 de outubro, moradores, bugueiros, instrutores de kitesurf e outros trabalhadores realizaram uma manifestação formando um cordão humano e exibindo faixas com os dizeres “Salvem a Lagoa do Cauípe” e “A Lagoa do Cauípe não está à venda”.
O grupo Vila Galé informou, em nota, que o muro estava sendo executado “em conformidade com um projeto que se encontra legalmente aprovado por todas as entidades municipais e ambientais”. Moradores, no entanto, temem a privatização do espaço e a possibilidade de cobrança para acesso a um dos paraísos naturais do Ceará.






