Economia

Limão segue caro mesmo fora da safra, com preços explodem até 374% no varejo

Chuvas excessivas prejudicaram a florada de limão no início do ano, reduzindo drasticamente a oferta durante a entressafra. Preços dispararam nos últimos meses, com aumentos acumulados que chegam a 226% entre junho e agosto.

O limão continua pesando no bolso do cearense e de todo o consumidor brasileiro. Mesmo durante o período de entressafra, a fruta está significativamente mais cara que a média histórica. A culpa é a escassez de produção, resultado de uma combinação de fatores climáticos e de mercado que afetaram principalmente as regiões produtoras de São Paulo.

Segundo o pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), o limão é uma fruta com altíssima volatilidade de preços. “O momento atual é um período bem precário, com uma condição especial de chuvas que afetou a florada no começo do ano”, explicou o especialista. Os dados comprovam: no cinturão cítrico paulista, responsável por 80% da produção nacional, o preço do limão tahiti pago ao produtor saltou de R$ 32,10 por caixa em junho para R$ 104,78 em agosto – um aumento acumulado de 226,4%. Na comparação com agosto de 2025, o preço está 71% mais elevado.

No atacado, os números são ainda mais impressionantes. Na Ceagesp, o maior entreposto do país em São Paulo, o quilo do limão subiu de R$ 1,82 em maio para R$ 8,62 em fins de setembro – uma alta de 374%. Na CeasaMinas, em Belo Horizonte, o aumento foi de 240%, saindo de R$ 2,50 para R$ 8,50 o quilo. O problema começou quando chuvas acima da média caíram nas principais regiões produtoras, como Bebedouro e Matão, afetando tanto a qualidade comercializável dos frutos quanto a formação da próxima safra. A umidade excessiva e os dias nublados aumentaram a quantidade de frutas mais claras, prejudicando também a colheita. Somam-se a isso a competição com o mercado externo – o Brasil exporta cerca de 11% da safra, principalmente para a Europa – e o aumento da demanda interna durante o calor de agosto e setembro.

Os especialistas estimam que os preços devem normalizar com a chegada da nova safra no final do ano, embora existam preocupações com possíveis impactos do El Niño em 2027. Por enquanto, a esperança dos consumidores repousa na chegada de maior volume de limão nas próximas semanas.

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