Política

Violência política contra mulheres aumenta 11 vezes e preocupa no mês de conscientização

Dados do TSE revelam crescimento alarmante de agressões políticas de gênero no Brasil, com casos passando de 15 para 177 entre 2022 e 2026. Mulheres sofrem mais da metade dos episódios de violência durante campanhas eleitorais, incluindo ameaças de morte e estupro.

O Brasil registra um cenário alarmante de violência política contra mulheres justamente no mês dedicado à luta contra a violência de gênero. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que os casos de agressões políticas de gênero explodiram: passaram de 15 processos em 2022 para 177 em 2026, um crescimento de 1.067%. Simultaneamente, o Disque 180 recebeu 1.564 denúncias de violência política contra mulheres entre janeiro e agosto deste ano, evidenciando a urgência do problema.

Durante a campanha eleitoral de 2026, levantamento das organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global documentou 134 casos de violência política até o primeiro turno das eleições — um a cada nove horas. Mulheres foram vítimas em 70 episódios (52,2%), número ainda mais preocupante quando consideradas apenas as candidatas: de 102 casos dirigidos a pessoas em candidaturas, 60 tiveram mulheres como alvo (58,8%). Embora representem cerca de um terço das candidaturas, elas sofrem ataques em mais da metade dos episódios. Mulheres pretas e pardas são as principais vítimas: mais de 53% das denúncias envolvem essas mulheres, seguidas por 37,72% de mulheres brancas.

O caso da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), 21 anos, ilustra a gravidade da situação. Eleita a mulher mais votada da história de Minas Gerais para a Câmara Federal e a deputada federal mais jovem do Brasil, ela denunciou à Polícia Civil ameaças de morte e violência sexual durante a campanha, incluindo exposição de dados pessoais como endereço residencial e documentos. Segundo Sandra Kennedy, secretária Nacional de Articulação Intersetorial do Ministério das Mulheres, a violência política reflete “questões estruturais” da sociedade patriarcal, desde ameaças à vida até violências veladas que desestimulam a participação feminina na política. Mulheres em situação de violência política podem denunciar pelo Disque 180, pelos canais do Ministério Público Eleitoral, Justiça Eleitoral ou Polícia Federal.

Com informações da Agência Brasil.

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