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55 anos depois: UFRJ entrega diploma a Stuart Angel, estudante morto pela ditadura

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concedeu o diploma de bacharelado em Ciências Econômicas a Stuart Angel Jones, ativista do MR-8 sequestrado, torturado e assassinado pela ditadura militar em 1971, aos 25 anos. A diplomação póstuma representa uma reparação histórica do Estado e homenageia a luta pela liberdade democrática.

Após 55 anos de sua morte, a UFRJ prestou uma homenagem histórica ao estudante Stuart Angel Jones, militante do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8) que lutou contra a ditadura militar brasileira. Na terça-feira (7), uma cerimônia realizada no Salão Dourado da universidade, na Praia Vermelha, zona sul do Rio, entregou o diploma de bacharelado em Ciências Econômicas ao ativista, que foi sequestrado, preso, torturado e assassinado em 1971, aos 25 anos, quando ainda era estudante de economia.

A diplomação póstuma foi resultado de uma longa mobilização liderada pela jornalista Hildegard Angel, irmã de Stuart, e pelo economista Lucas Duda, ex-diretor do Centro Acadêmico Stuart Angel (CASA). A iniciativa começou com uma homenagem pelos 54 anos de morte de Stuart, em maio de 2024, quando a família procurou a instituição para manter viva a memória do resistente. “É um tipo de reparação histórica do Estado que tirou a vida do Stuart e agora entrega uma profissão para ele”, afirmou Lucas à Agência Brasil.

Para Hildegard, a conquista simboliza uma vitória para todos que lutaram contra o regime autoritário. A jornalista também relembrou que a ditadura ceifou a vida de três membros de sua família: Stuart, sua mãe, a estilista Zuzu Angel (morta após denunciar o desaparecimento do filho), e sua cunhada Sônia Moraes (também torturada e morta). O reitor Roberto Medronho reforçou que a diplomação funciona como um resgate da memória para os 70 mil alunos atuais da universidade, lembrando o período “terrível” que não pode retornar e a responsabilidade das futuras gerações em proteger a democracia.

Além de Stuart, a UFRJ planeja homenagear outros 25 alunos desaparecidos ou mortos durante a ditadura que estudavam em diferentes escolas da instituição. A cerimônia está prevista para agosto, após conclusão dos trâmites burocráticos. A identificação dos estudantes foi baseada no relatório da Comissão Nacional da Verdade, que registra mais de 400 mortos e desaparecidos políticos comprovados. O atestado de óbito de Stuart foi retificado em 2019, reconhecendo oficialmente que sua morte foi causada de forma violenta pelo Estado no contexto da perseguição sistemática aos opositores da ditadura.

Com informações da Agência Brasil.

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