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ONU: fome mundial cai para 645 milhões de pessoas em 2025

Relatório da ONU indica redução de 14 milhões de pessoas com fome em relação a 2024, marcando o terceiro ano consecutivo de queda. Apesar do progresso, África concentra a maioria dos famintos e desigualdades persistem entre continentes.

A fome mundial registrou queda contínua em 2025, chegando a 645 milhões de pessoas, conforme divulgado nesta terça-feira (21) pela Organização das Nações Unidas. O número representa redução de quase 14 milhões em relação a 2024 e 43 milhões comparado a 2022, marcando o terceiro ano consecutivo de declínio. O relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026” (SOFI) foi elaborado pela FAO, FIDA, OMS, PMA e Unicef durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da organização, em Roma.

Apesar da redução global, o progresso é desigual entre os continentes. A África enfrenta a situação mais crítica, concentrando o maior número absoluto de pessoas famintas: aproximadamente 309 milhões, o equivalente a 20% da população africana. Na América Latina e Caribe, 22,9% enfrentam insegurança alimentar moderada ou severa, enquanto na Ásia o índice chega a 20,3%. Além disso, 2,1 bilhões de pessoas vivem em insegurança alimentar moderada ou severa, número que representa avanço em relação aos 27,1% da população em 2024. Mulheres e populações rurais continuam desproporcionalmente afetadas, com apenas 62,7% das mulheres entre 15 e 49 anos atingindo diversidade alimentar mínima.

O custo elevado de alimentação saudável permanece como principal obstáculo global. O relatório aponta que 2,69 bilhões de pessoas (32,7% da população mundial) não conseguem arcar com uma dieta saudável, queda em relação aos 37,4% em 2021. Na África, o cenário é mais grave: 66,6% da população não pode pagar por alimentação nutritiva. O custo médio diário de uma dieta saudável aumentou de US$ 3,44 em 2021 para US$ 4,28 em 2025, com a América Latina registrando os maiores valores (US$ 4,91). A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil, Fernanda Machiaveli, destacou que “quando os governos priorizam o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, é possível alcançar avanços concretos”, enfatizando que políticas públicas podem mudar a realidade de quase um terço da humanidade ainda sem acesso a alimentação adequada.

Com informações da Agência Brasil.

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