Cultura

Mestra Fatinha celebra 70 anos marcando resistência e preservação do jongo no Vale do Café

Maria de Fátima da Silveira Santos, a Mestra Fatinha, completa 70 anos neste sábado com a realização do 5º Encontro dos Jongos do Vale do Café, reunindo 450 lideranças de 18 quilombos e comunidades tradicionais. A celebração reafirma 50 anos de luta pela preservação da cultura negra no sul fluminense.

Neste sábado (25), o Parque das Ruínas de Pinheiral, no Vale do Café, será palco da celebração dos 70 anos de Mestra Fatinha, entrelaçada ao Dia Estadual do Jongo e ao 5º Encontro dos Jongos da região. O evento reunirá 450 lideranças de 18 quilombos e comunidades tradicionais dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, reafirmando a importância dessa manifestação cultural que atravessa gerações. Mestra Fatinha ressalta que a escolha do local não é coincidência: ali funcionava São José dos Pinheiros, uma das maiores fazendas de café da época colonial, onde viveram mais de 3 mil negros escravizados que legaram essa tradição aos seus descendentes.

Durante 50 dos seus 70 anos, Mestra Fatinha permaneceu à frente da luta pela preservação da cultura negra na região, iniciando sua militância no final dos anos 80 no Clube Palmares, único clube social de negros do estado do Rio. Para ela, o jongo é muito mais que uma manifestação artística: “é a verdadeira bandeira de luta do povo preto, porque os negros escravizados usavam o jongo para se organizar, namorar, cantar a saudade da África, para cultuar os orixás.” Sua dedicação resultou em reconhecimento acadêmico, incluindo o título de notório saber concedido pela Universidade Federal Fluminense em 2023, além da certificação da região como comunidade quilombola pela Fundação Palmares.

O trabalho de Mestra Fatinha contribuiu para contar a história sob perspectiva dos negros, diferentemente da narrativa tradicional focada nos barões do café. “Aqui no Vale do Café se trabalha muito a memória dos barões, e a gente vem fazendo a contramada contando a história do povo preto, porque o nosso povo é que construiu todo esse império”, afirma. O jongo, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan em 2005, continua vivo nas mãos de descendentes de pessoas escravizadas de origem Bantu, que o preservam como símbolo de resistência. A programação segue neste domingo (26), com procissão em homenagem a Sant’Ana e celebração do Dia Estadual do Jongo.

Com informações da Agência Brasil.

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