A sul-coreana Posco está de volta ao radar do mercado brasileiro. A empresa, que deixou um rastro de dívidas bilionárias no Ceará após a construção da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), agora negocia investimentos na exploração de terras raras em Minas Gerais.
O grupo assinou um memorando de entendimento com a australiana Meteoric para adquirir até 30% da produção do Projeto Caldeira, conforme informações da agência Reuters. O acordo foi firmado durante a visita do presidente sul-coreano ao Brasil nesta semana, que trouxe uma comitiva de executivos, incluindo Jang In-hwa, presidente do Grupo Posco.
Terras raras e o potencial brasileiro
Terras raras são elementos químicos essenciais para a fabricação de ímãs superpotentes e componentes da indústria tecnológica moderna. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses minerais, com projetos de exploração em desenvolvimento em diversos estados, incluindo o Ceará.
A parceria entre Posco e Meteoric prevê cooperação tecnológica e busca por financiamento junto a instituições financeiras e agências de crédito sul-coreanas para viabilizar o empreendimento mineiro.
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Credores cearenses veem oportunidade
Para os credores deixados no prejuízo, o retorno da Posco ao país representa uma chance de responsabilização judicial. Frederico Costa, presidente da Associação Internacional dos Credores da Posco, avalia a movimentação como positiva.
“A Posco é um conglomerado muito grande. Pode ser que não seja a mesma empresa que venha atuar aqui, mas é do grupo e certamente conseguiremos, na justiça, que ela responda assim que tiver qualquer atividade no Brasil”, afirma o advogado.
A estratégia da sul-coreana de entrar em novo segmento no Brasil pegou os credores de surpresa. Segundo Costa, a decisão reforça que a saída abrupta do país, deixando empresas terceirizadas sem pagamento, foi uma estratégia equivocada a longo prazo. “A Posco não pode ignorar o Brasil. Ela viu a solução de fazer uma falência fraudulenta e planejada, mas as consequências vão chegar”, completa.






