No Dia dos Pais, especialistas em paternidade e desenvolvimento infantil reforçam que o combate à misoginia começa dentro de casa, através do exemplo constante dos genitores. Quando o menino Samuca, de 8 anos, conversou com o pai sobre uma situação constrangedora envolvendo uma colega, o goianiense Cleomar Barros não deixou passar e usou o momento para ensinar sobre respeito. A ação simples, mas eficaz, exemplifica como a “educação pelo exemplo” é a ferramenta mais poderosa contra o machismo estrutural.
Psicanalistas e educadores consultados enfatizam que crianças aprendem primordialmente observando o comportamento de seus pais. O psicanalista Thiago Queiroz, autor de “Amor de pai”, destaca que o respeito às mulheres precisa ser naturalizado em todos os espaços frequentados pela criança. A psicóloga Bárbara Lobato complementa que essa construção deve ser cotidiana e que é essencial que os próprios homens compreendam suas dores emocionais para transmitirem mensagens saudáveis aos filhos, promovendo diálogo, transparência e conexão afetiva.
O desafio, porém, vai além do núcleo familiar. Escola e família devem atuar em sintonia com mensagens coerentes sobre igualdade e responsabilidade. A educadora Ana Paula Lilly alerta que discursos misóginos chegam aos adolescentes também por grupos de mensagens, exigindo educação digital e midiática crítica. Iniciativas como o Papicast, um canal criado por pais em São Paulo, e projetos como “De Mano pra Mano” demonstram que há demanda crescente por espaços de acolhimento e orientação paterna. Tiago Koch, um dos criadores do Papicast, defende que políticas públicas como ampliação da licença paternidade são fundamentais para que pais tenham tempo de qualidade com filhos e transmitam valores de respeito desde cedo.
O terapeuta Fábio Manzoli, criador do canal “Masculinidade saudável”, exemplifica como romper ciclos geracionais de silêncio emocional masculino. Ao desconstruir a ideia de que “homem deve engolir o choro”, pais autorizam seus filhos a viver plenamente suas emoções e a respeitar as mulheres como iguais. Assim, cada gesto de cuidado demonstrado aos filhos sobre como tratar meninas, cada conversa franca sobre limites corporais e cada lágrima permitida funcionam como atos de resistência contra a violência estrutural. Como diz Cleomar, pai do pequeno Samuca que segue correndo feliz: “Chegou a hora de a gente mudar isso”.
Com informações da Agência Brasil.


