Após décadas desaparecidas da natureza, espécies raras de plantas foram redescopertas por pesquisadores na região do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais. As descobertas ocorrem em áreas protegidas mantidas pela Vale e integram o Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas, desenvolvido em parceria com universidades e instituições de pesquisa através da Rede Propagar. “Algumas plantas que tínhamos na nossa lista não eram vistas há mais de 100 anos e eram consideradas potencialmente extintas. Mas fazendo esse trabalho de procurar por essas plantas, conseguimos redescobri-las na natureza”, explica Laís Zeferino, doutora em biologia vegetal pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Entre os achados estão a Paepalanthus magalhaesii e a Coracoralina amoena, popularmente conhecidas como “sempre-vivas” ou “chuveirinho”. Ambas são endêmicas do Quadrilátero Ferrífero, ocorrendo apenas nessa região de solo ferruginoso característico de Minas Gerais. A Paepalanthus magalhaesii, que parece um minúsculo pompom espalhado entre rochas, foi localizada em áreas protegidas como Capanema, Capivari I, Capivari II e Cata Branca. A Coracoralina amoena, por sua vez, vive em ambientes muito específicos de rochas, onde o solo é fino, o sol é intenso e a água é escassa durante boa parte do ano.
As plantas redescobertos apresentam grande potencial científico e ecológico. Segundo especialistas, essas espécies conseguem sobreviver em condições extremas de temperatura e estresse hídrico, com possíveis aplicações na genética, biotecnologia e farmacologia. Todo o material coletado foi enviado para laboratórios que integram a Rede Propagar, onde passará por sequenciamento genético e será trabalhado para reprodução e reintrodução na natureza. “A ideia é desenvolver métodos de propagação dessas plantas e estudar sua genômica até a produção de mudas para reintrodução futura”, afirma Ana Cristina Amoroso, especialista em campo rupestre da Vale.
As descobertas reforçam a importância da preservação do ecossistema do Quadrilátero Ferrífero, que apresenta mais de 30% de espécies endêmicas. Segundo pesquisadores, o trabalho contínuo de campo pode revelar ainda novas espécies e registros antes desconhecidos, demonstrando que o Brasil ainda tem muito a conhecer sobre sua biodiversidade.
Com informações da Agência Brasil.


