Quatro décadas depois de retornar ao Brasil como problema de saúde pública, a dengue acumula números alarmantes no Ceará. Desde agosto de 1986, quando os primeiros casos da arbovirose foram registrados no estado, são quase 900 mil notificações oficiais, 680 mortes e sete ondas epidêmicas confirmadas.
O mosquito Aedes aegypti havia sido erradicado do país em 1958, graças aos esforços contra a febre amarela urbana. O Brasil até recebeu certificação internacional da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Porém, a partir de 1976, o vetor voltou a circular pelo território nacional, chegando ao Ceará uma década depois.
Segundo o epidemiologista Antônio Silva Lima Neto, secretário executivo de Vigilância em Saúde do Ceará, a combinação de vírus, mosquito e população sem imunidade criou uma “tempestade perfeita” para a disseminação da doença no estado.
Sete epidemias em 40 anos
A primeira epidemia ocorreu em 1987, com 22.518 casos notificados. Em 1994, veio a segunda onda, com 47.789 registros e a circulação de um novo sorotipo, o DENV2. As epidemias seguintes aconteceram em 2001, 2008, 2011, 2012 e 2015.
O ano de 2011 concentrou o maior número de casos: 63.437 notificações. Já 2013 registrou o maior número de óbitos, com 71 mortes pela doença. O vírus da dengue possui quatro sorotipos conhecidos (DENV1, DENV2, DENV3 e DENV4), e a população só desenvolve imunidade ao tipo que contraiu.
Dengue e a criação do SUS
O sanitarista José Policarpo de Araújo Barbosa, que atuou durante a reintrodução da dengue no Ceará nos anos 1980, lembra que a doença chegou em meio a uma grave crise sanitária. O país enfrentava malária, febre amarela, doença de Chagas, esquistossomose e os primeiros casos de HIV.
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Foi nesse contexto que aconteceu a 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986, marco para a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). A partir daí, o combate à dengue deixou de ser centralizado e passou a integrar uma política permanente de saúde pública.
Mesmo após quatro décadas de enfrentamento, a dengue permanece como desafio. Atualmente, o combate ao mosquito envolve ações intersetoriais que incluem abastecimento de água, saneamento básico, educação, urbanização e gestão adequada de resíduos sólidos.






