Brasil

Conflitos no campo aumentam 5% no Brasil, mas assassinatos caem drasticamente

A Comissão Pastoral da Terra registrou 841 conflitos agrários no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 5% em relação ao ano anterior, porém o número de assassinatos diminuiu de 27 para 6. O aumento da mercantilização da terra e da financeirização impulsionam violências como contaminação por agrotóxicos e desmatamento ilegal.

O campo brasileiro segue marcado pela tensão e pela violência, apesar de um dado positivo: o número de assassinatos em conflitos agrários caiu significativamente. Segundo levantamento divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) nesta quarta-feira (2), houve apenas 6 homicídios no primeiro semestre de 2026, contra 27 no mesmo período do ano anterior. Contudo, o cenário geral dos conflitos agrários se agravou, com 841 registros de disputas, ante 798 no semestre anterior.

O Maranhão lidera o ranking de conflitos, com 156 casos, seguido pelo Pará (90), Bahia (85), Rondônia (63) e Amazonas (63). A maioria dos conflitos envolve disputas por terra (711 casos), água (100) e trabalho escravo (30). Entre as formas de violência, destaca-se o aumento alarmante de contaminação por agrotóxicos, que saltou de 98 para 169 casos. A coordenadora nacional da CPT, Cecília Gomes, alertou para essa prática usada como “arma química”, causando morte lenta das vítimas. Outras violências em expansão incluem invasões de territórios (109 casos) e desmatamento ilegal (107).

Segundo a CPT, a intensificação da mercantilização e da financeirização da terra impulsiona esses conflitos, com atuação de fundos de pensão e interesse em terras raras localizadas em comunidades tradicionais. Os principais afetados são povos indígenas, trabalhadores sem-terra, posseiros, seringueiros e quilombolas. As comunidades, porém, não ficam passivas: foram registradas 284 manifestações no período, com marchas, bloqueios e ocupações contra agrotóxicos, mineração e privatização de águas.

O CPT reafirmou seu compromisso de não apenas denunciar as violências, mas também atuar junto às comunidades na construção de políticas públicas e estratégias de resistência contra a exploração predatória do campo brasileiro.

Com informações da Agência Brasil.

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