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Unicef alerta: 15 milhões de crianças foram expostas a conteúdo sexual online

Relatório da Unicef revela que 20 milhões de crianças e adolescentes de 21 países sofreram exploração sexual facilitada pela tecnologia em um ano. No Brasil, 19% das vítimas entrevistadas enfrentaram coerção e chantagem, com menos de 1% dos casos denunciados.

Um cenário alarmante sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes na internet foi revelado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nesta semana. Segundo o relatório “Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil”, aproximadamente 20 milhões de crianças e adolescentes de 21 países sofreram algum tipo de exploração ou abuso sexual mediado por tecnologia durante um período de um ano. Os números são ainda mais preocupantes quando desagregados: 9 milhões foram coagidas a manter conversas de teor sexual ou compartilhar imagens íntimas contra sua vontade, 4 milhões tiveram fotos vazadas e 15 milhões foram expostas a conteúdo sexual indesejado. Especialistas da Unicef ressaltam que esses dados provavelmente subestimam a real dimensão do problema, já que mais de 40% das vítimas nunca comunicaram a ninguém o que sofreram, principalmente por não saberem aonde recorrer.

Redes sociais como Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e WhatsApp concentram cerca de 60% das violações documentadas, enquanto plataformas de jogos online correspondem a 14% dos casos. O relatório destaca que ambientes de games são particularmente vulneráveis porque as dinâmicas de jogo facilitam a exploração da confiança entre os usuários. Contrariando o senso comum, a pesquisa constatou que 57% dos abusos foram cometidos por alguém próximo às vítimas—familiares, conhecidos, amigos ou parceiros—, embora 38% dos agressores tenham sido conhecidos pela primeira vez na internet através de contas falsas e mensagens privadas.

O Brasil figura entre os países mais afetados. Dos adolescentes entrevistados no país, 19% relataram ter sofrido coerção ou chantagem sexual—equivalente a quase 3 milhões de crianças e adolescentes—, mas apenas menos de 1% desses casos foi denunciado. A internet foi o meio de 55,5% das violências, seguida pela escola em 24,5%. Aplicativos de mensagens e redes sociais (66,5%) emergiram como os canais mais perigosos, com destaque para Instagram (57,2%) e WhatsApp (52,1%). Catherine Russell, diretora-executiva do Unicef, alertou que “essas experiências causam profundo desgaste emocional e mental. Muitas crianças sofrem em silêncio, sem saber ao certo onde procurar ajuda. Nós não podemos ignorar isso”.

Com informações da Agência Brasil.

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