Adolescentes mais familiarizados com telas de smartphones do que com clássicos da literatura estão apresentando os piores índices de desempenho em leitura já registrados neste século. O fenômeno reflete um declínio mais amplo na educação mundial, revelado pelo maior teste educacional do planeta.
O Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) 2025, realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), avaliou 760 mil jovens de 15 anos em 91 países. Os resultados são alarmantes: a pontuação máxima em leitura caiu de 501 pontos em 2012 para 466 em 2024. Matemática e ciências também atingiram suas piores marcas desde 2000, com queda de 502 para 469 e de 506 para 486, respectivamente. Em média, os adolescentes hoje apresentam um nível de leitura equivalente ao esperado de alunos um ano mais jovens.
O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, atribui a queda ao aumento do tempo em telas e diminuição da leitura por prazer. “Também observamos uma leitura mais apressada, com alunos percorrendo textos precipitadamente e respondendo incorretamente”, afirmou. O relatório destaca que a distração digital está associada a notas mais baixas em 59 dos 82 sistemas educacionais estudados. Alunos que usam inteligência artificial para redigir redações e resumos obtêm notas cerca de 20 pontos mais baixas em ciências—equivalente a um ano inteiro de aprendizado.
O Leste Asiático lidera em desempenho, com cidades chinesas, Japão, Coreia, Singapura e Taiwan ocupando as melhores posições. Reino Unido e Estônia são os únicos países fora da região entre os dez primeiros. Pesquisadores alertam que dispositivos digitais podem melhorar a aprendizagem, mas apenas até certo ponto: quando utilizados por mais de cinco horas diárias, os resultados começam a declinar.
Com informações da Agência Brasil.


