Enquanto escândalos políticos e disputas pessoais ocupam o centro do debate eleitoral brasileiro, questões estratégicas fundamentais para o futuro do país seguem invisibilizadas nas campanhas. De acordo com Francilene Garcia, presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), temas como envelhecimento populacional, transição energética, aproveitamento de minerais críticos e preparação para possíveis crises sanitárias continuam à margem das discussões dos candidatos.
A doutora em engenharia elétrica e professora da Universidade Federal de Campina Grande destaca que o Brasil tem sido forçado a escolher entre discutir a integridade das instituições ou traçar um projeto de desenvolvimento nacional, quando ambas as questões deveriam caminhar juntas. “A ciência brasileira ainda não entrou nessa campanha. Justo a ciência, que depende de regras estáveis, orçamento previsível e atenção”, ressalta Francilene em entrevista exclusiva à Agência Brasil. Ela aponta que a comunidade científica lançou o Observatório das Eleições com mais de uma centena de propostas de políticas públicas, mas conseguiu engajar apenas uma candidatura de âmbito federal e nenhuma de nível estadual.
A ausência de debate sobre ciência e tecnologia é histórica, mas ganhou visibilidade em momentos de crise, como durante a pandemia de covid-19 e as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024. Agora, com as atenções voltadas para escândalos político-institucionais, temas cruciais como mudanças climáticas, inteligência artificial, soberania digital e preparação do Sistema Único de Saúde (SUS) para futuras pandemias seguem negligenciados. Para Francilene, essa lacuna representa um risco para a autonomia do Brasil, especialmente diante do cenário demográfico que aponta para uma população envelhecida em pouco mais de dez anos. “Que espécie de soberania e autonomia teremos construído para o Brasil? O país vai voltar a ser um país colônia, exportador de matéria-prima?”, questiona a presidenta da SBPC.
Com informações da Agência Brasil.




