O acordo de autorregulação voluntária da Inteligência Artificial anunciado pelo governo dos Estados Unidos em parceria com gigantes da tecnologia gerou preocupações entre especialistas sobre os riscos à saúde pública e à democracia. O pacto, firmado na terça-feira (29) na Casa Branca com OpenAI, Meta, Anthropic, Google, Nvidia e X, propõe implementação de “controles internos” e auditorias externas independentes. Porém, para críticos, trata-se de uma “carta branca” para a indústria operar sem regulação estatal efetiva.
O sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC, avalia que o governo entregou “completamente e de modo irresponsável o controle democrático do desenvolvimento da IA para a própria corporação que a desenvolve”. Segundo ele, as medidas propostas—como monitoramento interno e auditorias—já são práticas rotineiras no setor. O ponto crítico, contudo, é que as auditorias externas serão pagas pelas próprias empresas, comprometendo sua independência. “Até que ponto esse auditor externo pago pela própria empresa vai fazer críticas que criem descontentamento do conselho de acionistas?”, questiona Amadeu.
O especialista em governança de IA Ettore Arpini, fundador da organização Plures, alerta que acordos voluntários podem ser facilmente abandonados quando prejudicarem a lucratividade empresarial. Ele cita o exemplo da Moratória da Soja na Amazônia, que funcionou por 20 anos até ser desmantelado com mudanças no contexto político e econômico. Para Amadeu, os maiores perigos residem em riscos ambientais pelo alto consumo de energia e água, violação de privacidade através da vigilância em massa, interferência na democracia e ameaças à saúde pública.
Pesquisas realizadas entre indústrias farmacêuticas e big techs envolvem riscos significativos que demandam regulação estatal. O autodiagnóstico facilitado por IA e automedicação representam preocupações concretas para a população. Além disso, relatório internacional elaborado por 100 especialistas de 30 países aponta que sistemas de IA podem influenciar opinião pública através de manipulação de informações em redes sociais, facilitar ataques cibernéticos e até fornecer instruções para desenvolvimento de armas biológicas e químicas. Pesquisa Ipsos e Reuters revelou que 73% dos americanos acreditam que empresas de IA não tomam medidas suficientes para prevenir danos à sociedade.
Com informações da Agência Brasil.


