Três anos após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, Gaza continua sob bombardeios aéreos israelenses diários, apesar dos esforços de mediação dos Estados Unidos para implementar um plano de paz no território. Segundo relatório do Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários (Ocha), Israel mantém 60% do território palestino ocupado, enquanto a situação humanitária segue catastrófica para os cerca de 2 milhões de palestinos que vivem no enclave.
Desde o anúncio do cessar-fogo há um ano, 1.431 palestinos foram mortos — uma média de quase quatro óbitos por dia. Entre 23 e 30 de setembro, 29 palestinos foram mortos e 147 ficaram feridos, segundo dados do Ministério da Saúde local. Especialistas consultados apontam que a suposta trégua nunca se concretizou de fato. “A situação humanitária ainda é catastrófica. Pouca ajuda humanitária sendo permitida de entrar por Israel, e não há perspectiva de reconstrução de Gaza”, avalia Isabela Agostinelli, professora de relações internacionais da Fecap. O Ocha da ONU alerta ainda que 1,4 milhão de pessoas — 67% da população de Gaza — enfrentarão níveis agudos de insegurança alimentar entre julho e dezembro, resultado da falta de financiamento internacional.
O principal impasse do plano de paz está em exigências conflitantes: enquanto Israel insiste que o Hamas se desarme antes de abandonar o território, o movimento palestino aceita depor as armas apenas após a retirada israelense. Enquanto isso, o governo Netanyahu financia milícias anti-Hamas para disputar territórios no enclave, em uma estratégia que segundo especialistas mantém Gaza em estado de conflito permanente. “Esse cessar-fogo foi uma falácia. As bombas deixaram de cair de forma constante, mas os palestinos continuam sendo mortos pelas políticas israelenses”, conclui Agostinelli. Na Cisjordânia, a situação também se agrava, com expansão desenfreada de assentamentos israelenses e violência de colonos contra palestinos.
Com informações da Agência Brasil.


