Brasil

Estudantes retomam protagonismo nas ruas em defesa da democracia e educação pública

Milhares de universitários e secundaristas mobilizam-se em diversas cidades do país, poucos dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, para defender a democracia e a educação pública. A presidente da UNE, Bianca Borges, destaca que o movimento estudantil responde a uma ameaça concreta ao futuro do Brasil.

Com o segundo turno das eleições presidenciais se aproximando, o movimento estudantil retomou as ruas em uma mobilização que resgata a tradição histórica de protagonismo da juventude universitária e secundarista em momentos decisivos para o país. Milhares de estudantes têm promovido atos em diversas cidades para defender a democracia, a educação pública e se posicionar sobre as propostas dos candidatos. A mobilização começou logo após o resultado do primeiro turno, com assembleia na Universidade Federal Fluminense que transbordou para as ruas, desencadeando um movimento que se estendeu por todo o Brasil.

Em entrevista exclusiva, a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges, ressalta que os estudantes atuam em defesa de direitos fundamentais e da soberania nacional. “Neste momento, nós vemos não só uma eleição em jogo, mas verdadeiramente o futuro do nosso país em risco”, afirma. Bianca recupera a trajetória do movimento estudantil brasileiro, citando a luta contra a ditadura militar, as mobilizações pelas Diretas Já, o impeachment de Fernando Collor e a resistência ao governo Jair Bolsonaro. Ela aponta que o bolsonarismo representa uma ameaça concreta caracterizada pelo autoritarismo, pela deslegitimação da organização popular e pelo incentivo à violência política.

Além da defesa da democracia, os estudantes reivindicam investimentos robustos nas universidades públicas, consolidação de políticas de assistência estudantil e garantia de permanência para alunos de baixa renda. Bianca destaca que as universidades federais e estaduais sofrem com subfinanciamento há mais de dez anos e que propostas como a transferência da gestão das universidades federais para o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI) representam riscos ao caráter público da educação superior. A dirigente enfatiza que a universidade brasileira vai muito além de sua função produtiva, funcionando como espaço de formação cidadã, pensamento crítico e emancipação social.

Quanto à manutenção da mobilização após as eleições, Bianca ressalta a importância da organização permanente nos centros acadêmicos e diretórios centrais de estudantes. “Independentemente do resultado eleitoral, nossa batalha não termina no dia 25 de outubro”, afirma. Ela destaca que, sob um governo que não acredita na educação pública, sequer haveria legitimidade para protestar e reivindicar direitos, reforçando a necessidade de manutenção da organização estudantil como ferramenta de transformação social.

Com informações da Agência Brasil.

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