O jovem Nicolas Henrique Lima Dantas, de 20 anos, voltou a sentir temperatura nas pernas três meses após receber aplicação de polilaminina no Instituto José Frota (IJF). Ele foi o primeiro paciente do Ceará a ser tratado com a substância experimental que promete revolucionar o tratamento de lesões medulares.
Nicolas sofreu um trauma raquimedular no fim de 2025 e recebeu diagnóstico de paraplegia. Classificado como ASIA-A — lesão medular completa —, o paciente não apresentava nenhum movimento ou sensibilidade abaixo da área afetada. A medicina tradicional considerava esse quadro irreversível.
“Ele está evoluindo com esse retorno e não há outro motivo a não ser a polilaminina. Quando o paciente tem ASIA-A, ele perde totalmente e de forma definitiva a sensibilidade e a motricidade”, explica o neurocirurgião Lucas Chaves, que coordenou o procedimento no IJF.
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Avanços além da sensibilidade térmica
Além de sentir calor e frio, Nicolas relatou que passou a perceber quando a bexiga está cheia. Segundo Chaves, essa recuperação da noção das necessidades fisiológicas também está relacionada ao tratamento experimental.
O jovem segue rotina intensa de reabilitação com fisioterapia, musculação e treinos em cadeira de rodas. O objetivo é conquistar mais autonomia e conseguir vaga no Hospital Sarah Kubitschek, referência nacional em reabilitação.
Expectativa de recuperação motora
A equipe médica projeta que Nicolas possa evoluir para recuperação de movimentos nos próximos meses. “Os estudos mostram que a polilaminina forma um arcabouço na medula para que os neurônios possam se reconectar, gerando melhora”, afirma o neurocirurgião.
Em outubro, pesquisadores do Rio de Janeiro visitarão o Ceará para avaliar e quantificar os progressos do paciente. A cirurgia, realizada em 23 de maio, durou uma hora e envolveu nove profissionais, incluindo representantes do Laboratório Cristália e da UFRJ.
Segundo paciente recebe tratamento
No último sábado (15), o IJF aplicou polilaminina em um segundo paciente. O homem de 27 anos, vítima de trauma com lesão completa na sexta vértebra torácica (T6), foi operado apenas quatro dias após dar entrada no hospital com paraplegia.
A substância é uma proteína com potencial de regenerar a medula espinhal, desenvolvida pela pesquisadora Tatiana Sampaio, da UFRJ. Ainda em fase experimental, a polilaminina é aplicada diretamente na região afetada para estimular os nervos a criarem novas conexões.






