A Santa Casa de Misericórdia de Sobral realizou, no último sábado (30), a terceira captação de coração para transplante de 2026. Na ocasião, também foram captados fígado e rins, graças à generosidade de uma família que, mesmo diante da dor da perda, autorizou a doação dos órgãos. A ação beneficiará pacientes que aguardavam por transplante no Ceará.
Esta foi a sexta captação de órgãos realizada pela instituição neste ano, reforçando o compromisso da Santa Casa com a política de doação de órgãos e tecidos. O hospital é referência no interior do Estado e se destaca no número de captações de órgãos para transplante fora da capital, em razão do perfil de atendimento a pacientes vítimas de trauma e com condições neurológicas graves.
A equipe da Organização de Procura de Órgãos (OPO) da Santa Casa atua de forma especializada em todas as etapas do processo, desde a identificação de potenciais doadores até o acolhimento humanizado às famílias. Esse trabalho é fundamental para transformar um momento de dor em esperança para outras pessoas.
Ser doador
No Brasil, a doação de órgãos somente ocorre mediante autorização familiar, tornando essencial o diálogo prévio sobre o desejo de ser doador. O enfermeiro da OPO, Elias Farias Jr., destaca a importância dessa conversa. “Ainda temos altas taxas de negativa familiar, e uma das principais justificativas é que a pessoa, em vida, nunca manifestou o desejo de ser doadora”, afirma. Ele ressalta ainda que o papel da OPO é preparar e acolher a família durante todo o processo. “Nenhuma entrevista é igual. Cada família vive sua dor de forma única, e nosso trabalho é oferecer suporte, informação e acolhimento nesse momento tão delicado”, explica.
Entre os profissionais que participaram de uma das captações realizadas na Santa Casa estava o médico cirurgião da captação de órgãos do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), Vitor Teixeira Holanda. Ele ressalta a importância da Santa Casa para o processo de transplantes. “É de extrema importância essa oportunidade que a Santa Casa proporciona à sociedade cearense. Apesar da perda irreparável dos doadores, o processo traz esperança para pessoas que aguardam por um órgão e por uma nova chance de vida. A agilidade do hospital e a possibilidade de doação fazem a diferença para pacientes que esperam por fígado, rins e outros órgãos”, destaca.
O coordenador médico da OPO da Santa Casa, Leonardo Azevedo, ressalta que a doação de órgãos é um gesto de solidariedade que transcende a perda e pode representar a última oportunidade para pacientes que aguardam um transplante. “A Santa Casa trabalha permanentemente para oferecer a melhor assistência aos pacientes que chegam vítimas de trauma ou acometidos por outras doenças graves. Entretanto, em determinadas situações, a severidade das lesões pode resultar em uma condição cerebral irreversível, mesmo diante de todos os recursos terapêuticos disponíveis. Nesses casos, as equipes iniciam uma investigação criteriosa para avaliar a presença de atividade cerebral, conforme os protocolos estabelecidos para o diagnóstico de morte encefálica. Quando esse diagnóstico é confirmado, a doação de órgãos representa a possibilidade de transformar uma perda em esperança, beneficiando pacientes que aguardam um transplante para recuperar a saúde e a qualidade de vida”, afirma.
Segundo o médico, a decisão pela doação também pode contribuir para o processo de elaboração do luto. “Muitas famílias encontram um novo significado para a perda ao saber que aquele gesto de bondade poderá levar esperança, saúde e felicidade para outras pessoas. Mesmo em meio à dor, a doação representa um dos maiores atos de solidariedade e amor ao próximo”, conclui.
A Santa Casa de Misericórdia de Sobral segue rigorosamente todos os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde e reforça a importância da empatia, do respeito e do acolhimento às famílias que, mesmo em um dos momentos mais difíceis de suas vidas, realizam um gesto capaz de transformar e salvar outras vidas.
