Cuba comemorou a aprovação de resolução contra o bloqueio econômico dos Estados Unidos na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (29), apesar de o resultado representar o menor apoio à iniciativa em três décadas. A votação teve 130 votos favoráveis, incluindo o do Brasil, 17 contrários e 25 abstenções. O embaixador cubano no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, classificou o resultado como “uma grande vitória” diante das ameaças e chantagens do governo de Donald Trump a nações aliadas. “Em um mundo onde os EUA lideram novas práticas do fascismo, Cuba manteve o apoio da imensa maioria dos países da comunidade internacional”, afirmou.
A campanha da administração Trump conseguiu aumentar significativamente os votos contrários: enquanto em 2024 apenas dois países (Israel e EUA) rejeitaram a proposta, este ano foram 17 nações contra a resolução, entre elas Argentina, Colômbia, Hungria e Ucrânia. Além disso, 25 países se abstiveram na votação, incluindo antigas aliadas de Cuba na América Latina como Chile, Honduras, Jamaica e Peru. Palomo alertou que o bloqueio à ilha é ilegal pelo direito internacional e ressaltou o impacto devastador nas vidas de cubanos, citando mais de 1,5 mil crianças mortas por falta de medicamentos e combustível para incubadoras. Entre 2025 e 2026, a mortalidade infantil em Cuba dobrou, passando de 4,4 para 9,9 óbitos a cada mil nascimentos.
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, os EUA intensificaram as sanções contra Cuba, incluindo bloqueio energético que deixou a ilha três meses sem receber petróleo. O resultado foram apagões de mais de dez horas em Havana e redução crítica dos serviços básicos. As chamadas “sanções secundárias” punem empresas estrangeiras que comercializam com Cuba, deixando mais de 7 mil contêineres parados em portos mundiais. O embaixador argumenta que o problema transcende Cuba: “É um tema que tem que ver com o mundo porque hoje é Cuba, mas amanhã pode ser qualquer outro país que os EUA desejarem”. Como resposta, Cuba implementou reforma econômica acelerando a transição para energia solar com ajuda da China e aumentando a produção local de alimentos.
Com informações da Agência Brasil.


