Saúde

Bebê faz 1ª cirurgia cardíaca pediátrica no HU do Ceará

Anna Isabelly, de 9 meses, passou por procedimento inédito em Fortaleza para corrigir defeito no coração. Cirurgia durou 4 horas.

Bebê faz 1ª cirurgia cardíaca pediátrica no HU do Ceará
Bebê faz 1ª cirurgia cardíaca pediátrica no HU do Ceará (Foto: Radene Fortaleza/ huc/ divulgação)

A pequena Anna Isabelly Cavalcante, de apenas nove meses, entrou para a história da medicina cearense ao se tornar a primeira paciente a realizar uma cirurgia cardíaca pediátrica no Hospital Universitário do Ceará (HUC). O procedimento aconteceu no dia 17 de junho e durou cerca de quatro horas.

A bebê foi diagnosticada com comunicação interventricular (CIV) ainda no período neonatal, uma condição que provoca uma abertura anormal entre os ventrículos do coração e compromete a circulação sanguínea. A cirurgia foi conduzida pelo cirurgião cardiovascular pediátrico Valdester Cavalcante.

Sintomas alertaram desde cedo

Segundo a mãe de Anna, a técnica em enfermagem Aline Freitas, de 36 anos, a menina apresentava sintomas preocupantes desde recém-nascida. “Ela ficava roxinha, com falta de ar. Como o sangue passava de uma cavidade para outra, o pulmão ficava congestionado, acumulava líquido e isso dificultava a respiração dela”, relatou.

Inicialmente, os médicos suspeitavam de tetralogia de Fallot, uma cardiopatia congênita mais complexa. Exames posteriores, no entanto, confirmaram que se tratava apenas da comunicação interventricular. Havia expectativa de que o problema pudesse se resolver naturalmente, mas a evolução do quadro tornou a intervenção cirúrgica necessária.

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Angústia de mãe e profissional da saúde

Para Aline, que trabalha em ambiente hospitalar, vivenciar a situação como mãe foi especialmente desafiador. O momento ficou ainda mais difícil pela perda recente de outra filha, de um ano e três meses, vítima de afogamento.

“Eu trabalho em uma sala de parada, um ambiente bem agitado. Mas, quando a gente está no lugar do paciente, é muito desafiador. É uma mistura de angústia e medo. Eu imaginava mil e uma coisas”, desabafou a mãe, emocionada.

Apesar da tensão, a cirurgia transcorreu conforme o planejado. Anna entrou no centro cirúrgico às 18h e retornou quatro horas depois. No dia seguinte, já iniciou a retirada dos aparelhos de suporte respiratório. Atualmente, a bebê está em plena recuperação.

“Ela foi muito guerreira, graças a Deus. E hoje estamos no processo de cicatrização, que está evoluindo bem. Ela já tá até começando a se emborcar”, comemorou Aline.

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Redação Se Liga Fortal
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