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Copa sem Brasil: quando o torneio perde o brilho

Eliminação precoce da Seleção esvazia emoção da Copa e expõe jejum de títulos que já dura mais de duas décadas

Copa sem Brasil: quando o torneio perde o brilho
Copa sem Brasil: quando o torneio perde o brilho (Foto: Rafael Ribero/CBF)

Um antigo ditado do futebol brasileiro resume bem o sentimento que tomou conta do país: para o torcedor verde e amarelo, a Copa do Mundo só começa de verdade quando a Seleção entra em campo. A eliminação diante da Noruega deixou um vazio que transcende as quatro linhas e atinge o coração de milhões de brasileiros.

A competição segue seu curso natural. Quartas de final, semifinais e a grande decisão acontecerão normalmente, com grandes jogos e craques em campo. Uma nova campeã será conhecida. Porém, para a maior parte da torcida brasileira, acompanhar os próximos jogos será como assistir a um filme cujo desfecho já não importa mais. A magia simplesmente se foi.

Copa como fenômeno nacional

No Brasil, a Copa sempre foi muito mais que um torneio de futebol. Durante quatro semanas, o país inteiro se une em torno da Seleção. O assunto domina conversas na padaria, no trabalho, nas mesas de bar e nos grupos de família. Diferenças políticas, sociais e econômicas ficam temporariamente de lado, substituídas por um raro sentimento coletivo de pertencimento.

Quando a equipe brasileira é eliminada precocemente, esse clima de comunhão nacional se desfaz em questão de horas. As bandeiras nas janelas perdem o sentido. As camisas amarelas voltam para o fundo do armário. Encontros para assistir às partidas são desmarcados. A Copa continua acontecendo no resto do mundo, mas deixa de existir no imaginário e na rotina emocional do brasileiro.

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O jejum que preocupa

Claro que os apaixonados por futebol continuarão acompanhando o torneio até o fim. Mas a realidade é que a maioria dos brasileiros não assiste apenas ao esporte em si — assiste ao sonho de ser hexacampeão. Quando esse sonho é interrompido, o interesse naturalmente despenca.

A eliminação também evidencia um problema que se arrasta há mais de 20 anos. Desde o pentacampeonato em 2002, a Seleção Brasileira acumula decepções e vive seu maior jejum sem conquistar uma Copa do Mundo. A camisa continua sendo a mais pesada do futebol mundial, mas somente história e tradição não garantem vitórias.

O maior dano talvez nem seja a derrota em si — derrotas fazem parte do esporte. O que realmente preocupa é constatar que a Copa deixou de ser aquele momento mágico em que o brasileiro acreditava, quase com ingenuidade, que o final seria feliz. Hoje, entramos em campo carregando mais dúvidas do que esperança.

A esperança que não morre

Apesar de tudo, existe algo que nenhuma eliminação consegue destruir: a paixão inabalável do brasileiro pelo futebol. Daqui a quatro anos, as ruas voltarão a ser decoradas, as camisas amarelas sairão novamente dos armários e milhões de pessoas acreditarão que o hexa finalmente chegará.

Porque ser brasileiro é exatamente isso: sofrer, reclamar, criticar, jurar que não vai mais acreditar… e, quando a próxima Copa começar, estar ali, na frente da TV, convencido de que desta vez será diferente.

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Walber Freitas
Walber Freitas Editor Chefe

Jornalista, radialista e especialista em comunicação estratégica, assessoria de imprensa e marketing digital. Possui experiência em veículos de comunicação, gestão de imagem pública, produção de conteúdo e cobertura dos principais acontecimentos do Ceará. Atua na direção editorial e no desenvolvimento de conteúdos especiais do Portal Se Liga Fortal.

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