Existe um paradoxo profundo na forma como os brasileiros educam seus filhos. Enquanto nove em cada dez pessoas afirmam que o diálogo é o melhor caminho para corrigir comportamentos infantis, a prática revela outra realidade: 62% já gritaram com uma criança, 49% admitiram ter dado tapas e 27% reconheceram ter batido com objetos. É o que mostra pesquisa realizada pela Quaest a pedido do Instituto Infinis, que ouviu mais de 2,2 mil brasileiros maiores de idade entre maio e junho deste ano.
A violência física e verbal contra menores permanece disseminada na cultura brasileira, apesar da conscientização crescente sobre direitos da infância. Nos quatro primeiros meses de 2026, foram registradas 115.814 denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Casos extremos, como o do pai flagrado chutando uma filha de 3 anos em Francisco Beltrão (PR), ganham repercussão, mas revelam apenas a ponta de um iceberg que afeta milhões de crianças no país—cerca de 55 milhões menores de 18 anos vivem no Brasil.
Segundo especialistas, compreender essa discrepância entre percepção e ação é fundamental para interromper o ciclo intergeracional de violência. “Cada criança protegida hoje representa menos violência amanhã”, afirmou Márcia Kalvon, diretora executiva do Infinis. A pesquisa apontou redução em agressões com objetos comparadas à edição anterior (2023), sugerindo algum avanço, mas a frequência de gritos e tapas permanece elevada. Além disso, 71% dos entrevistados não sabem citar leis de proteção à infância, e 62% não interferem ao presenciar atos de violência contra crianças.
Com informações da Agência Brasil.


