Brasil

Tarifa de 25% dos EUA sobre etanol brasileiro terá impacto limitado na economia

A imposição de 25% de tarifa pelos Estados Unidos sobre o etanol brasileiro afeta principalmente empresas exportadoras, mas tem alcance limitado na economia nacional, já que o mercado americano representa menos de 16% das exportações. Especialistas apontam que a medida é política e o Brasil possui vantagens competitivas para buscar novos mercados.

A tarifa adicional de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre o etanol brasileiro deve provocar impactos pontuais em empresas exportadoras, mas tende a ter efeito limitado sobre a economia brasileira como um todo. Especialistas avaliam que a medida possui forte componente político e chega em um momento em que o mercado norte-americano responde por menos de 16% do volume de etanol exportado pelo país. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a receita das vendas para os EUA corresponde a cerca de 17,5% do faturamento das exportações, deixando claro que mais de 82,5% das receitas de etanol destinam-se a outros mercados internacionais.

Professores do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Unicamp concordam que o Brasil possui vantagens competitivas estruturais no setor. O custo de produção brasileiro é menor, a produtividade por hectare é superior à americana, e o clima favorece a produção de duas safras anuais de milho. Atualmente, 75% do etanol brasileiro vem da cana-de-açúcar e 25% do milho, com projeção de crescimento para o milho nos próximos anos. Além disso, as usinas brasileiras utilizam biomassa para gerar sua própria energia, reduzindo custos em comparação com as fábricas norte-americanas, que precisam comprar energia.

Especialistas ressaltam que a falta de previsibilidade nas políticas comerciais dos EUA torna arriscado fazer investimentos voltados especificamente para esse mercado. Conforme avaliação de pesquisadores da UnB, a medida possui caráter eminentemente político, apesar de apresentar uma maquiagem técnica. O Brasil cumpre as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), e a redução das importações de etanol norte-americano decorre da expansão da produção nacional, não de mudanças na política tarifária brasileira. Tanto a Unica quanto a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) confiam no diálogo institucional entre os dois países e defendem que divergências comerciais sejam solucionadas por meio da negociação.

Com informações da Agência Brasil.

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