Um estudo inédito divulgado nesta sexta-feira (31) comprova o que muitos brasileiros já sabem na pele: nascer pobre, mulher e não branco no Brasil reduz drasticamente as chances de ascensão social. O Atlas da Mobilidade Social, desenvolvido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) em parceria com o Prospera Lab, mapeou as barreiras invisíveis que travam o progresso econômico de milhões de brasileiros.
Os dados são alarmantes. Enquanto 36,3% dos jovens brancos oriundos das famílias mais pobres permanecem nesse grupo na vida adulta, entre não brancos essa taxa salta para 51,6%. Quando o recorte é de gênero, as disparidades ficam ainda mais gritantes: homens pobres têm 67,1% de chance de sair da pobreza, enquanto mulheres pobres têm apenas 34,9%. Para mulheres não brancas de baixa renda, a situação é ainda mais crítica: 69% permanecem entre os 25% mais pobres da população quando adultas.
O levantamento também mostra que a origem familiar é praticamente um destino. Filhos de pais pobres têm apenas 8,32% de probabilidade de chegar aos 25% mais ricos e apenas 1,28% de alcançar o topo dos 10% com maior renda. Em contraste, filhos de pais ricos têm 56,5% de chance de permanecer entre os mais ricos. A persistência da desigualdade aparece também na comparação entre gerações: a mobilidade social praticamente não aumentou entre jovens nascidos entre 1983 e 1990, indicando que as oportunidades se repetem de forma cíclica.
O mapa da desigualdade também é geográfico. Regiões como Norte e Nordeste apresentam as menores taxas de mobilidade social, enquanto Sul e Sudeste concentram as maiores possibilidades de ascensão. Em Assis Brasil (AC), 84,4% dos pobres permanecem pobres, enquanto em Ponte Serrada (SC), apenas 2,13% continuam nesse patamar. A educação aparece como o fator mais decisivo: municípios com melhores indicadores educacionais registram mobilidade social significativamente maior. Para Paulo Tafner, presidente do Imds, “políticas educacionais são fundamentais, mas precisam ser acompanhadas de estratégias econômicas capazes de ampliar oportunidades ao longo da vida”.
Com informações da Agência Brasil.


