Diante de tragédias naturais e crises humanitárias espalhadas pelo mundo, profissionais de saúde mental dedicam seu tempo e conhecimento para atender pessoas traumatizadas de forma voluntária. A psicóloga Esly Carvalho, com 45 anos de experiência, é um exemplo dessa dedicação. Especializada em traumas pós-traumáticos, ela treina equipes internacionais na técnica EMDR, uma abordagem psicoterapêutica que desbloqueia memórias dolorosas. Na Venezuela, onde mais de 6 mil pessoas morreram após terremoto em junho, Esly desenvolveu um programa que já formou mais de 100 profissionais de saúde mental, os quais atenderam mais de 500 pessoas. Desde então, realiza atendimentos online gratuitos todas as quintas-feiras.
Outra iniciativa que cresceu exponencialmente é o projeto Help, nascido em 2017 de um grupo de seis amigos de São Paulo que enfrentaram crises de depressão. O que começou com mensagens de esperança amarradas em viadutos se transformou em uma rede de 7 mil voluntários espalhados por todas as unidades federativas. A página no Instagram conta com 389 mil seguidores. Os voluntários atuam em palestras nas escolas, em escutas públicas chamadas de “cantinho do desabafo” e também por WhatsApp. Felipe Santos, coordenador nacional, destaca que os jovens têm procurado com frequência ajuda relacionada a ansiedade, depressão, dependência de tecnologia e apostas online.
Em Brasília, o trabalho voluntário ganhou força com iniciativas de prevenção ao suicídio entre jovens. O militar da Marinha Thiago Domingos coordena 15 psicólogos voluntários que já atenderam cerca de 5 mil pessoas. A psicóloga Juliana Cei, que trabalha na área corporativa, encontrou no voluntariado um novo propósito profissional. Ela observa uma “epidemia de solidão” e falta de qualidade nas relações familiares, fatores que potencializam crises emocionais nos jovens. Lucas Hedler, psicólogo trans, criou grupos de apoio específicos para a população LGBTQIA+, população historicamente mais vulnerável a traumas e inseguranças, além de se especializar em atendimento a pessoas trans com autismo.
Essas iniciativas voluntárias preenchem uma lacuna crucial na saúde mental pública do Brasil. Enquanto a Venezuela conta com apenas 17 terapeutas especializados em traumas, no Brasil crescem redes de solidariedade que democratizam o acesso ao cuidado psicológico. Para quem busca apoio, existem ainda recursos gratuitos como o CVV (Ligue 188), a Rede de Atenção Psicossocial do SUS e grupos como Alcoólicos Anônimos.
Com informações da Agência Brasil.


