Visitar um familiar preso no Brasil tem um custo que vai muito além do emocional. Pesquisa divulgada pela Pastoral Carcerária Nacional apontou que famílias despendem, em média, 70% de um salário mínimo quando visitam um detento uma vez por semana. O levantamento, realizado em parceria com a Assessoria Popular Maria Felipa, estimou que o gasto anual chega a R$ 4,33 bilhões — valores gastos com alimentos, higiene e vestuário que deveriam ser fornecidos pelo Estado nos presídios. O estudo, intitulado “A pena sem sentença: famílias, gênero e a expansão silenciosa do poder punitivo”, baseou-se em 2.706 entrevistas, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 3%.
O ônus recai, principalmente, sobre as mulheres. Dados mostram que 94,1% dos visitantes são mulheres, sendo 30,3% esposas. A maioria (65,5%) é preta ou parda, com idade entre 25 e 34 anos e ensino médio completo. Os pesquisadores apontam uma “feminização e racialização do trabalho social” que sustenta o sistema penitenciário. Mais da metade dos entrevistados (56,9%) gasta mais de R$ 200 por visita, enquanto aqueles que visitam semanalmente desembolsam até R$ 1.053,90 quando considerados transporte, alimentação e hospedagem. Para famílias que visitam regularmente, essa é uma obrigação financeira contínua que compromete significativamente a renda mensal.
Além da carga financeira, os visitantes enfrentam constrangimentos e violências institucionais. Cerca de 58,9% dos entrevistados relataram ter sofrido constrangimentos ou violências, incluindo revistas íntimas (32,5%), impedimentos burocráticos e maus-tratos. A consequência é devastadora: 90,1% atribuem à rotina de visitas uma piora na saúde, e 66,8% afirmaram ter sofrido grandes consequências. Irmã Petra Silvia Pfaller, coordenadora nacional da Pastoral Carcerária, aponta que a ausência de unidades prisionais próximas às famílias intensifica os problemas financeiros e que a dupla marginalização dos detentos afeta também sua ressocialização, uma vez que nem mesmo suas famílias conseguem acolhê-los adequadamente.
Com informações da Agência Brasil.


