O Escudo das Américas, coalizão liderada pelos Estados Unidos e formada por outros 14 países latino-americanos, estaria usando o combate aos cartéis de drogas como pretexto para interferir nos países da região e barrar a influência econômica da China. A avaliação é de especialistas em relações internacionais consultados pela Agência Brasil, como o professor de ciência política da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Danilo Enrico Martuscelli.
“O Escudo das Américas é uma retomada desse processo de tentativa de anexação colonial ou imperial dos países latino-americanos em relação aos EUA dentro de uma lógica geopolítica de disputa comercial e tecnológica com a China”, afirmou Martuscelli. A coalizão, criada em março deste ano, apresentou nesta semana proposta para levar a iniciativa à Organização dos Estados Americanos (OEA) e classificou 24 grupos narcotraficantes como “terroristas”, incluindo o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
O professor questiona a credibilidade da política antidrogas norte-americana, lembrando que o próprio Trump concedeu indulto ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado a 45 anos de prisão por facilitar a importação de toneladas de cocaína. Robson Valdez, especialista do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), complementa que a coalizão visa principalmente “legitimar a presença física de tropas americanas na região a pretexto de combater o crime organizado”. Já o governo brasileiro, não convocado para participar, observa a iniciativa com cautela, temendo que ela seja usada para obter alinhamentos automáticos contra a presença chinesa na América Latina.
O documento da coalizão, apresentado durante a 81ª Assembleia-Geral da ONU, mistura combate às drogas com medidas de “cooperação econômica” focadas na proteção de minerais críticos — insumos centrais na disputa tecnológica entre Washington e Pequim. Martuscelli destaca que a estratégia de levar a proposta à OEA tenta pressionar países ainda não adesos, como Brasil, México, Uruguai e Canadá, em uma “política de pressão imperial aberta”.
Com informações da Agência Brasil.


