Ceará

Capivaras voltam ao Ceará e exigem plano de manejo urgente

Espécie quase extinta no estado reaparece em Fortaleza e interior. Especialistas alertam para necessidade de convivência segura.

Capivaras voltam ao Ceará e exigem plano de manejo urgente
Capivaras voltam ao Ceará e exigem plano de manejo urgente

As capivaras estão de volta ao Ceará. Depois de décadas praticamente extintas no estado por conta da caça predatória, a espécie voltou a ocupar diferentes municípios e até áreas urbanas de Fortaleza. O crescimento populacional dos animais acendeu o alerta entre especialistas e autoridades sobre a necessidade de criar um plano de manejo para garantir a preservação e a convivência segura com a população.

O tema ganhou destaque após o resgate de uma capivara no bairro Joaquim Távora, em Fortaleza, na semana passada. O animal silvestre entrou em um estabelecimento comercial e precisou da intervenção do Batalhão de Polícia do Meio Ambiente. O episódio reforçou a presença cada vez mais frequente da espécie em zonas urbanizadas da capital cearense.

Onde as capivaras estão aparecendo

Considerada o maior roedor do Brasil, a capivara é uma espécie nativa do Ceará que vive em grupos de 10 a 40 indivíduos, sempre próxima a rios, lagoas e cursos d’água. Nos últimos anos, exemplares foram avistados em Redenção, Baturité, Eusébio e Aquiraz, além dos bairros Cocó e Sabiaguaba, em Fortaleza.

A estudante Emilly Nau, de 14 anos, conta que já viu capivaras na capital. “Eu achei ela muito fofinha, bem quietinha. Lá no Lago Jacarey eu sei que tem muitas, às vezes elas aparecem bastante”, relata. O empresário José Evanildo também confirma ter encontrado o animal em Aquiraz.

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Cuidados essenciais com a espécie

O biólogo e professor da UFC Fernando Heberson Menezes alerta que a população deve manter distância dos animais. “Existem dois riscos principais. O primeiro é de acidente com mordida. As capivaras são pacíficas, mas podem morder se alguém mexer com os filhotes. Uma mordida desses bichos machuca bastante”, explica.

O segundo risco envolve zoonoses, especialmente a febre maculosa, transmitida pelo carrapato-estrela. “A gente não sabe ainda como está a situação sanitária dessa população no Ceará”, pondera o especialista.

Hipóteses para o retorno da espécie

Ainda não há explicação definitiva para o reaparecimento das capivaras no estado. Menezes aponta duas hipóteses: soltura acidental, com animais fugindo de cativeiros, ou soltura intencional. “A gente não sabe qual dessas duas hipóteses realmente aconteceu, lá pelo começo dos anos 2000”, afirma.

Plano de manejo em discussão

Especialistas defendem a criação urgente de um plano de manejo específico para o Ceará. A proposta inclui estudar as características dos animais no estado e definir estratégias que equilibrem preservação e segurança urbana.

O Batalhão de Polícia Ambiental já trabalha para manter os grupos em ambientes adequados, longe de áreas urbanizadas onde podem ser atropelados. Segundo Menezes, a primeira etapa deve ser um levantamento populacional completo. “Precisamos saber como estão as capivaras para depois pensar em manejo de deslocamento, retirada ou inclusão de indivíduos”, destaca.

O professor ressalta ainda a importância da participação de universidades e instituições de pesquisa no processo. “Tem que ser um manejo multidisciplinar e interinstitucional para produzir informações que orientem a convivência entre população e espécie”, conclui.

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Redação Se Liga Fortal
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