O agricultor e empresário João Holanda Neto, de 59 anos, proprietário do terreno onde foram localizados 290 mil pés de maconha em Acopiara, foi liberado em audiência de custódia nesta sexta-feira (3). A decisão foi tomada pela Justiça do Ceará após a defesa apresentar argumentos relacionados ao estado de saúde do acusado.
Segundo a advogada Mariah Lopes, que representa o agricultor, ele possui uma cirurgia oncológica agendada e apresentou picos de pressão arterial elevada durante o período em que esteve detido. Durante o interrogatório, João precisou tomar cinco comprimidos e teve a pressão aferida três vezes, segundo a defesa. O juiz do 2º Núcleo Regional de Custódia e das Garantias determinou a soltura.
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Arrendamento e negativa de envolvimento
João Holanda sustenta que não tem qualquer relação com o cultivo da droga. De acordo com os advogados Mariah Lopes e Itael Nunes, o fazendeiro arrendou o terreno por R$ 5 mil mensais, pagos em espécie, para um conhecido da família. O contrato teria sido firmado em outubro, após o agricultor se afastar das atividades no campo devido ao diagnóstico de câncer.
Antes de se apresentar à polícia, o empresário gravou vídeos fazendo apelos ao arrendatário para que se entregasse às autoridades. “Eu peço até pela alma da sua mãe, de seus filho… Você fazer isso comigo? Com minha família?”, disse João em uma das gravações, afirmando que confiava no locatário.
Polêmica e investigação sobre a operação
O caso ganhou repercussão estadual após a Polícia Civil do Ceará (PCCE) realizar a operação no local, considerada uma das maiores apreensões de maconha dos últimos anos no estado. A controvérsia aumentou quando o deputado federal André Fernandes visitou o terreno e denunciou que grande parte da plantação permanecia intacta, contrariando o protocolo de incineração imediata.
A denúncia levou a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) a abrir um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) contra os delegados responsáveis pela operação. O caso segue sob investigação.






