O fundo do mar ao longo da costa do Ceará esconde um tesouro natural invisível da superfície: uma cadeia de montanhas submersas que funciona como verdadeiro oásis marinho. As formações vulcânicas concentram vida, alimento e biodiversidade única em meio ao que seria um deserto oceânico.
Conhecida como Cadeia Norte do Brasil ou Bancos do Ceará, a formação é composta por cerca de 17 montes oceânicos que se elevam de profundidades entre 2.300 e 4.400 metros. A estrutura se estende por quase 1.500 km no Atlântico, abrangendo a costa do Maranhão ao Rio Grande do Norte.
Expedições revelam biodiversidade singular
Em 2024, uma expedição oceanográfica financiada pela WWF Brasil mapeou cinco dos seis montes: Mundaú, Canopus, do Meio, Sueste e Leste. O trabalho identificou espécies endêmicas que só existem naquele local, além de corais raros em profundidades inesperadas.
“Quando surgem essas montanhas, elas criam um relevo consolidado onde os organismos conseguem se fixar e formar comunidades. Além disso, alteram as correntes marinhas e favorecem a subida de águas frias, ricas em oxigênio e nutrientes”, explica a professora Caroline Feitosa, do Labomar/UFC, pesquisadora contratada pela WWF Brasil.
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Espécies raras dependem do ambiente
Os montes oceânicos servem de ponto de descanso, alimentação e reprodução para baleias, tubarões, tartarugas e grandes peixes durante deslocamentos pelo Atlântico. O local também abriga espécies encontradas exclusivamente ali.
Entre os animais estão o coral-cérebro-gigante, corais negros e corais moles que praticamente desapareceram de outras regiões do planeta. “Se aquele ambiente deixar de existir, essas espécies entram em extinção”, alerta Daniel Castro, analista ambiental do ICMBio.
Desde 2016, pesquisas são desenvolvidas pela UFPE, Cepene e Instituto Recifes Costeiros. Em 2023, o Cepene encaminhou ao ICMBio processo técnico propondo a criação de unidades de conservação na região.






