O lançamento do livro Escreviventes (Pallas Editora), durante a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), marca um encontro inédito entre duas gigantes da literatura brasileira: Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz. A obra resulta de uma conversa gravada ao longo de dois dias na Kaza 123, quilombo urbano localizado em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, onde as autoras discutem literatura, memória, racismo, maternidade, envelhecimento e amizade—temas que demonstram como as vivências atravessam a criação literária.
Com lançamento em momento simbólico—em 2026 Conceição celebra 80 anos e Eliana completa 60—a obra inaugura a coleção Memórias Brasileiras e antecipa o documentário homônimo, dirigido por Estevão Ribeiro. Durante evento na Casa Estante Virtual, Conceição Evaristo reforçou seu conceito de “escrevivência”, explicando que transcende relatos autobiográficos e envolve também criação e ficcionalização. “Só escreve ficção quem conhece a realidade”, destacou a escritora, lembrando que é o conhecimento da realidade que permite ficcionalizar memórias que não vivenciamos diretamente.
Eliana Alves Cruz ressaltou a importância de registros como esse, apontando a carência de material sobre autores negros como Lélia Gonzalez. A escritora, porém, lamentou a dificuldade em adaptar projetos sobre história e memória negra ao formato audiovisual no Brasil. “Essa democratização da literatura é algo muito recente, mas no audiovisual enfrentamos um cenário bem difícil”, protestou. Segundo Conceição, livro e documentário componham a história da literatura brasileira, registrando o percurso de duas escritoras negras fundamentais para a formação do pensamento literário nacional.
Com informações da Agência Brasil.




