Cultura

Documentário sobre Vincent Carelli mostra trajetória do Vídeo nas Aldeias em São Paulo

O CineSesc exibe nesta quinta-feira o documentário ‘Arquivo Vivo’, que recupera a história do projeto que transformou indígenas em cineastas. A mostra integra a programação do festival Amor ao Cinema e celebra mais de 70 filmes produzidos por povos originários brasileiros.

O CineSesc, em São Paulo, apresenta nesta quinta-feira (10), às 20h, o documentário ‘Arquivo Vivo’, dirigido por Vincent Carelli e Ana Carvalho. Parte da programação do festival Amor ao Cinema, a produção resgata a trajetória do projeto Vídeo nas Aldeias, iniciativa que se consolidou como um importante acervo dos povos originários do Brasil, contabilizando mais de 70 filmes realizados.

Carelli, franco-brasileiro que se tornou referência no indigenismo, teve seu primeiro contato com as comunidades indígenas aos 16 anos, durante uma viagem com um missionário dominicano que lecionava em seu colégio em São Paulo. A experiência na aldeia Mẽbengôkre Xikrin, no Pará, marcou profundamente sua vida e o impulsionou a dedicar-se aos povos originários. Anos mais tarde, já reconhecido como um não indígena de confiança, o cineasta trabalhou na Funai e cofundou o Centro de Trabalho Indigenista (CTI) durante os anos 1970.

Em 1986, Carelli formalizou o Vídeo nas Aldeias junto com sua esposa, a antropóloga Virgínia Valadão. O projeto revolucionário tinha um propósito claro: colocar câmeras nas mãos dos indígenas, transformando-os de simples personagens de documentários em cineastas e narradores de suas próprias histórias. A iniciativa continuou ativa mesmo durante a pandemia de covid-19, documentando momentos cruciais da vida dos povos originários. Carelli reforça a importância da apropriação da imagem pelos indígenas, destacando que as comunidades devem ter autonomia e acesso às produções audiovisuais que as representam.

Com informações da Agência Brasil.

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