O cinema de narrativas negras brasileiras conquista espaço nos maiores palcos mundiais. Prova disso é que três dos seis filmes pré-selecionados para representar o Brasil na disputa pelo Oscar 2027 são produções de diretores negros: “Feito Pipa” (Allan Deberton), “Vicentina Pede Desculpas” (Gabriel Martins) e “Nosso Segredo” (Grace Passô). Segundo Tatiana Carvalho, presidente da Associação de Profissionais do Audiovisual Negro no Brasil (Apan), essas são histórias que “emocionam, desafiam convenções e conquistam espaço nos maiores palcos do cinema mundial”. Porém, o reconhecimento ainda não se traduz em igualdade real.
Os números revelam uma realidade preocupante. Na TV aberta, pessoas brancas representam 65% dos profissionais registrados, contra 32,6% de pretas e pardas. No cinema, 69,6% são brancos e apenas 29,3% negros. O dado mais alarmante: 94% dos filmes que receberam recursos federais foram dirigidos por pessoas brancas. Profissionais negros concentram-se em funções técnicas, recebem menor remuneração e enfrentam maior informalidade. “Cinema negro é cinema brasileiro”, defende Tatiana, ao destacar a necessidade urgente de políticas afirmativas e mecanismos de diminuição da desigualdade racial e de gênero nas equipes.
A Apan divulgou carta voltada ao setor e candidatos nas eleições, propondo ampliação das ações afirmativas e criação de “empresas vocacionadas para reparação histórica”. A associação também denuncia fraudes na aplicação da Lei Paulo Gustavo, com pessoas negras assinando documentos mas sendo descartadas após o repasse de recursos. A entidade defende a implementação de bancas de heteroidentificação e leis mais robustas para proteger o audiovisual brasileiro, similar à legislação norte-americana. Tatiana também aponta a educação como estratégia transformadora: exibir filmes negros em sala de aula alinharia a produção audiovisual aos currículos que determinam o ensino de história e cultura africana e indígena.
Com informações da Agência Brasil.




