A celebração de Cosme e Damião segue como tradição marcante no Rio de Janeiro, unindo fiéis de diferentes religiões em torno de uma devoção que atravessa séculos. Na Paróquia de São Cosme e São Damião, no Andaraí, zona norte da cidade, professores, padres e devotos se reúnem anualmente para homenagear os santos irmãos que viveram no século 3. A professora Caroline Pinho de Araújo, devota desde a infância, explica que a prática vai além da fé: “É importante manter essa tradição. Crianças e adultos ficam felizes. Ao mesmo tempo, a gente combate discursos de ódio e de intolerância.”
O sincretismo religioso marca presença forte nas celebrações. Nos terreiros de umbanda, como o de Vila Isabel, santos católicos se encontram com os erês, entidades espirituais infantis das religiões de matriz africana. A mãe de santo Ana Carolina Oliveira mantém a tradição há mais de 60 anos em sua família e explica que o abraço às divindades católicas surgiu como necessidade histórica: escravizados precisavam fazer sincretismo para continuar professando sua fé africana. A distribuição de doces, brinquedos e kits de higiene pessoal resgata a história de santos que curavam crianças sem cobrar nada, oferecendo alegria como parte do processo de cura.
Para gerações mais jovens, como a estudante Mirele Marinho da Silva, a celebração representa uma forma de resistência contra a intolerância religiosa. “Acho importante que a gente celebre abertamente, porque é uma forma de mostrar que a gente não se importa com a intolerância religiosa”, afirma a adolescente que participa da tradição desde criança. O padre Luiz Gustavo Menezes do Nascimento reforça a importância histórica: após 1,7 mil anos, poder comemorar esses santos perseguidos pelo Império Romano é “motivo de graça” para a comunidade carioca.
Com informações da Agência Brasil.




