Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam uma situação preocupante para os motociclistas que trabalham por plataformas digitais no Brasil. De um universo de aproximadamente 405 mil profissionais dessa categoria, apenas 79 mil contam com cobertura previdenciária, representando apenas 19,4% do total — o equivalente a um em cada cinco trabalhadores. O contraste é gritante quando comparado aos 62,4% de cobertura observados no setor privado em geral.
Segundo Gustavo Geaquinto Fontes, analista responsável pela pesquisa, essa pequena parcela de protegidos chama atenção justamente pelo tipo de atividade exercida. “Eles podem estar expostos a acidentes e outros riscos relacionados à ocupação”, destaca o especialista. A falta de proteção previdenciária deixa esses trabalhadores vulneráveis, sem garantias como aposentadoria, benefício por incapacidade e pensão por morte. O levantamento, que integra um módulo especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, também aponta crescimento acelerado na categoria: entre 2024 e 2025, o número de motociclistas plataformizados aumentou 15,4%, e desde 2022 praticamente dobrou, passando de 211 mil para 405 mil pessoas.
A pesquisa também traz dados sobre motoristas de aplicativos, que somam 905 mil profissionais em 2025. Neste segmento, a cobertura previdenciária é um pouco melhor, mas ainda insuficiente: apenas um em cada quatro (25,5%) possuem proteção. Quanto à remuneração, motociclistas ganham em média R$ 2.221 mensais (valor líquido de despesas como combustível), trabalhando 44,9 horas por semana com rendimento horário de R$ 11,4 — 12,9% superior ao de não plataformizados. Já os motoristas de app recebem R$ 2.873 mensais por 45,9 horas semanais, com ganhos de R$ 14,4 por hora.
Com informações da Agência Brasil.




