O número de bebês recém-nascidos acolhidos em instituições de Fortaleza cresceu 52% nos últimos seis meses. Atualmente, 41 crianças com menos de um ano de idade estão em abrigos da Capital, segundo dados do Sistema Nacional de Adoção (SNA) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), atualizados em 1º de julho.
Em janeiro deste ano, eram 27 bebês nessa situação. Agora, além dos 41 com menos de 12 meses, outros 20 ainda não completaram dois anos. O contingente de bebês é mais que o dobro de qualquer outra faixa etária nas unidades de acolhimento institucional da cidade.
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Sistema de Justiça falha no acompanhamento
O promotor de Justiça Dairton Oliveira, do Ministério Público do Ceará (MPCE), alerta que existe uma crença equivocada de que adolescentes são maioria nos abrigos. Na realidade, muitos jovens presentes nessas instituições foram acolhidos ainda bebês e acabaram “esquecidos” pelo Sistema de Justiça, envelhecendo dentro dos abrigos.
Segundo o promotor, pretendentes à adoção, crianças e mulheres com gestação não desejada formam três pilares de um problema social que precisa ser enfrentado com seriedade. Esses grupos vulneráveis precisam ser acolhidos pelo sistema, e não invisibilizados ou estigmatizados.
“Fortaleza tem cerca de 22 instituições de acolhimento, hoje superlotadas face à estagnação e à falta de resolutividade nos processos das crianças acolhidas”, afirma Dairton Oliveira. Para ele, a infância precisa de prioridade absoluta, sem conviver com atendimento deficiente e questões que impedem o bom andamento da adoção e do retorno familiar.






