Nem todo melanoma está relacionado ao câncer de pele tradicional. Estudo divulgado pela Fundação do Câncer revela que essa neoplasia maligna, originária das células produtoras de melanina, também pode se manifestar fora da pele — nos olhos, mucosas da cavidade oral e órgãos internos dos sistemas genital e digestório. Apesar de menos frequente, o melanoma extracutâneo é significativamente mais agressivo e letal, com maior potencial de metástase e disseminação para tecidos e órgãos vizinhos.
A 12ª edição do boletim “Análises e Tendências em Câncer”, lançado pela fundação neste mês com o título “Melanoma: nem sempre na pele”, evidencia a importância do conhecimento sobre a doença para seu enfrentamento. Segundo dados da plataforma info.oncollect, entre 1990 e 2021, foram registrados 1.324 novos casos de melanoma extrapele no Brasil, sendo 75% de localização ocular, 12,8% em órgãos genitais e 8,2% no sistema digestório. O melanoma ocular é particularmente preocupante por permanecer assintomático nas fases iniciais, sendo frequentemente identificado apenas em exames de rotina.
Os avanços no tratamento com medicamentos anti-PD-1, aprovados pela Anvisa desde 2016, revolucionaram o prognóstico do melanoma metastático. A imunoterapia elevou a taxa de resposta clínica de menos de 10% para até 70%, segundo Alfredo Scaff, coordenador do estudo e consultor médico da Fundação do Câncer. Contudo, o alto custo desses medicamentos permanece como principal barreira para pacientes do SUS. O especialista aponta que a centralização de compras pelo Ministério da Saúde e a ampliação da produção nacional são essenciais para reduzir custos e ampliar o acesso à imunoterapia em tempo hábil.
O Instituto Nacional de Câncer projeta 9.360 novos casos de melanoma de pele para 2026. A Região Sul apresenta as maiores taxas de incidência (44,40 por 1 milhão de habitantes), enquanto o Norte registra menores incidências, mas maior letalidade — indicativo de diagnóstico tardio e barreiras de acesso à assistência especializada. Especialistas alertam que o diagnóstico precoce, qualificação dos registros e articulação entre diferentes especialidades médicas são fundamentais para o controle da doença no Brasil.
Com informações da Agência Brasil.




