O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, atribui a crise migratória em Ceuta a uma operação coordenada de desinformação promovida por grupos reacionários internacionais. Em entrevista ao canal RTVE nesta segunda-feira (3), o chanceler denunciou uma “resposta sincronizada” que amplificou rapidamente notícias falsas sobre a integridade do Espaço Schengen e as ações espanholas contra a imigração irregular.
Segundo Albares, a desinformação explorou uma decisão do Supremo Tribunal da Espanha que proibiu deportações sumárias de imigrantes que chegam a nado no país. Grupos reacionários teriam distorcido essa medida judicial para espalhar a mentira de que seria possível imigrar para a Espanha sem risco de deportação, incentivando o fluxo migratório. “Precisamos monitorar as redes sociais e combater a desinformação, que foi o elemento-chave para desencadear esse movimento sem precedentes”, afirmou o ministro, que cobrou solidariedade europeia, lembrando que Ceuta e Melilla são as únicas cidades da UE que fazem fronteira terrestre com a África.
A crise em Ceuta gerou atritos diplomáticos para Madri. A Itália defendeu expulsar a Espanha do Espaço Schengen, enquanto o governo dos EUA responsabilizou as políticas espanholas por “facilitar a imigração ilegal em massa para a Europa”. O embaixador de Israel na ONU também criticou as cidades como “enclaves coloniais na África”, comentário que a encarregada de Negócios israelita precisou desmentir publicamente. Os conflitos refletem as tensões entre Espanha e Washington e Tel Aviv sobre política externa no Oriente Médio.
Com informações da Agência Brasil.


