O governo de Javier Milei enfrentou nova derrota no Senado argentino nesta quinta-feira (6). Sob intensa pressão popular e mobilizações nas ruas, a Casa Rosada retirou de votação o capítulo do projeto que permitiria a venda de terras em áreas afetadas por incêndios florestais. Esta é a segunda derrota da semana para o presidente argentino, após recuar também sobre a ampliação dos limites para venda de propriedades a estrangeiros.
Apesar dos recuos, Milei conseguiu aprovar parcialmente seu pacote de reformas, intitulado Lei da Inviolabilidade da Propriedade Privada. Por 37 votos contra 33, o Senado aprovou duas medidas: uma que facilita e reduz prazos para despejos de inquilinos inadimplentes e outra que dificulta expropriações pelo Estado. Patricia Bullrich, líder do governo no Senado, justificou as derrotas pela falta de votos suficientes e pelo tempo excessivo de tramitação. “50% do projeto foi aprovado, enquanto os outros 50% não. Decidimos recuar nas questões em que sentimos não ter os votos necessários. É assim que a democracia funciona”, afirmou ao canal argentino TN.
A votação foi marcada por cenas de repressão policial contra manifestantes nas proximidades do Legislativo. Sob chuva, gases lacrimogênios e jatos de água, milhares de pessoas enfrentaram as forças de segurança. Um fotógrafo foi ferido na cabeça e dezenas de jornalistas foram atingidos por gases, segundo denúncia do Sindicato de Imprensa de Buenos Aires (SiPreBA). Ambientalistas criticam a tentativa do governo de flexibilizar as proteções às áreas queimadas. A legislação atual proíbe, por 60 anos, a venda de bosques e vegetação úmida afetados por incêndios — prazo reduzido para 30 anos em áreas destinadas à agropecuária. Para Milei, as restrições seriam excessivas e prejudicariam a recuperação econômica dos proprietários.
Com informações da Agência Brasil.


